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Elizeu se foi, mas o Augusto Franco guardará sua voz

Vi, vivi e hoje preciso escrever. Escrever quando o coração preferia permanecer em silêncio. Conheci Elizeu Pereira de Menezes durante o curso de Jornalismo. Fomos colegas de sala, de sonhos, de dificuldades e daquela esperança bonita de quem acredita que a palavra pode melhorar a vida das pessoas. Elizeu era um homem querido, de conversa simples e amizade verdadeira. Dessas pessoas que chegam discretamente, ocupam um lugar em nossa vida e, quando partem, deixam um vazio grande demais para ser explicado.

Elizeu não estudou Jornalismo por vaidade nem para pendurar um diploma na parede. Ele queria comunicar, servir e preservar. Foi assim que nasceu o Jornal da Memória, uma publicação que transformava moradores comuns em protagonistas de suas próprias histórias. Enquanto a grande imprensa corria atrás dos poderosos, Elizeu olhava para as famílias, as ruas, os comerciantes e os personagens do Conjunto Augusto Franco. Ele entendeu antes de muita gente que uma comunidade sem memória é apenas um endereço no mapa.

Na Polícia Civil de Sergipe, sua história também foi escrita com dignidade. Foram mais de quatro décadas dedicadas ao serviço público, atravessando mudanças, governos e gerações sem perder o compromisso com o dever. Elizeu carregava a firmeza do policial das antigas, mas conservava a sensibilidade do comunicador. Sabia que, por trás de cada ocorrência, existia uma pessoa, uma família e uma história que merecia ser tratada com respeito.

O Augusto Franco perde uma de suas vozes mais afetivas. A Polícia Civil perde um servidor dedicado. A comunicação sergipana perde um guardião das pequenas histórias, justamente aquelas que parecem pequenas somente para quem nunca aprendeu a enxergar gente. E eu perco um colega muito querido, alguém com quem dividi uma etapa inesquecível da vida. A saudade começa assim, quando percebemos que determinadas conversas não poderão mais ser retomadas e que alguns encontros passarão a acontecer somente dentro da memória.

Aos familiares de Elizeu, deixo meu abraço mais sincero e minha solidariedade. Sei que nenhuma palavra consegue ocupar o lugar de quem partiu, mas o amor construído por ele permanecerá acompanhando cada um de vocês. Que Deus conforte seus corações e receba Elizeu em Sua infinita misericórdia. Meu amigo, você passou a vida registrando a memória dos outros. Agora, tornou-se parte definitiva da nossa. Vá em paz. Aqui ficam a gratidão, o respeito e uma saudade que o tempo poderá acalmar, mas jamais apagará.

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