A obra de drenagem e pavimentação da Zona de Expansão de Aracaju é uma das maiores intervenções de infraestrutura da capital, com investimentos superiores a R$ 160 milhões e impacto direto sobre uma região historicamente castigada por alagamentos. O projeto envolve canais, drenagem, pavimentação e urbanização, mas o prazo contratual avança e os gargalos começam a chamar atenção. Foi nesse momento que o Tribunal de Contas entrou em campo, diante das reclamações da população e da necessidade de garantir que o cronograma não vire apenas uma peça bonita de papel.
A postura do conselheiro José Carlos Felizola merece elogio. Em vez de esperar a obra terminar para procurar problemas no retrovisor, ele decidiu acompanhar enquanto ainda existe tempo para corrigir a rota. Reuniu Prefeitura, consórcio e demais envolvidos, apontou entraves relacionados a desapropriações e à atuação da Iguá e cobrou soluções. Felizola demonstra que fiscalização eficiente não é fazer barulho depois do prejuízo, mas evitar que ele aconteça. É o fiscal que entra na cozinha quando sente cheiro de queimado, e não quando já estão chamando os bombeiros.
A obra, por sua própria dimensão, exige coordenação entre diversos órgãos e empresas. Prefeitura, consórcio, TCE, órgãos ambientais, Ministério Público e Iguá precisam falar a mesma língua. Quando drenagem, esgotamento sanitário, desapropriações e pavimentação dependem uns dos outros, qualquer atraso vira efeito dominó. E aí está o humor involuntário da burocracia brasileira: às vezes a água corre mais rápido pelo canal do que o documento entre uma repartição e outra.
O ponto positivo é que a obra está em andamento e possui etapas já executadas. Por isso, a cobrança do TCE não deve ser vista como obstáculo, mas como instrumento para garantir a conclusão do empreendimento. Quem mora na Zona de Expansão não quer saber qual papel ficou parado ou quem demorou a responder um ofício. Quer rua pavimentada, drenagem funcionando e fim dos alagamentos. Felizola acerta ao colocar o relógio sobre a mesa e lembrar que obra pública tem prazo, dinheiro público tem dono e gargalo só é aceitável quando está dentro de uma tubulação, não dentro da administração.




