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PSOL–Rede monta a arca das causas, mas ainda procura os votos

Antes de começar o espetáculo, uma correção para ninguém subir ao palanque brigando com a matemática: o nome é quociente eleitoral, não coeficiente. Coeficiente é coisa de equação escolar. Quociente eleitoral é aquela conta que entra na convenção sem ser convidada, senta na primeira fila e acaba com a alegria de metade dos candidatos. Ele é calculado dividindo os votos válidos pelo número de vagas. Sergipe terá oito cadeiras federais, 24 estaduais e 1.740.240 eleitores aptos em 2026. O resultado definitivo, claro, só aparecerá depois da votação, porque a urna ainda não aprendeu a fazer pesquisa de intenção de voto em grupo de WhatsApp.

Na disputa federal, a PSOL–Rede apresenta Dr. Emerson, Igor Baima, Daía, Lúcia Barroso e Delegado Mário Leony. É uma chapa com causas, discursos, militância e provavelmente muitas reuniões em que todo mundo pede a palavra. O problema é que Brasília não distribui mandato por tempo de fala. Dr. Emerson obteve 69.407 votos quando disputou o Governo em 2018, mas voto majoritário não vem com transferência automática, recibo e reconhecimento de firma. Mário Leony alcançou 9.396 votos para deputado federal naquele mesmo ano. Os demais ainda precisam demonstrar musculatura estadual. Na projeção numérica utilizada, a federação precisaria se aproximar de 146 mil votos para conquistar uma cadeira pelo quociente. Dividindo por cinco, dá quase 29 mil para cada um. Nesse momento, até a calculadora pede água.

É verdade que existem as sobras, mas sobra eleitoral não é sobra de aniversário, quando alguém aparece no fim e ainda leva bolo para casa. Para entrar de verdade na disputa, a federação precisa acumular votos e possuir candidatos que atinjam o desempenho individual exigido pela legislação. Ter 10% do quociente não entrega mandato, apenas habilita o candidato a ocupar uma vaga conquistada pelo partido ou pela federação. Traduzindo para o português falado fora do cartório: não adianta um candidato conseguir alguns milhares de votos, tirar fotografia comemorando e esperar que o TSE complete o restante no crediário. A urna soma votos, não boas intenções.

Na disputa estadual, a situação melhora porque existe Linda Brasil, que foi eleita em 2022 com 28.704 votos. Linda chega com mandato, votação comprovada e densidade eleitoral. O restante da nominata chega com muita disposição e uma extraordinária confiança na capacidade de Linda carregar gente. Pela projeção utilizada, o quociente estadual poderá ficar perto de 53 mil votos. Linda, repetindo a votação anterior, entregaria mais da metade. Os outros vinte candidatos precisariam completar aproximadamente 24 mil votos. Não é impossível. Cada um teria de conseguir, em média, cerca de 1.200 votos. O problema é descobrir se todos foram inscritos para disputar eleição ou apenas para aparecer na fotografia da convenção segurando bandeira e procurando onde fica a câmera.

A fotografia atual é simples: para deputado federal, a chapa parece ter mais facilidade para organizar um seminário do que para alcançar o quociente. Para deputado estadual, existe uma disputa concreta por uma cadeira, praticamente apoiada no patrimônio eleitoral de Linda Brasil. Falar em duas vagas, porém, exigiria algo próximo de 105 mil votos, fazendo os outros candidatos produzirem quase 77 mil além da votação anterior de Linda. Nesse cenário, Linda não seria apenas candidata. Seria candidata, puxadora, motorista, cobradora e mecânica do ônibus eleitoral. Pela matemática disponível, a nominata não parece preparada para eleger uma bancada. Parece organizada para tentar reeleger Linda e depois agradecer aos demais pela participação. Porque causa social merece respeito, mas a urna, fria como atendente de companhia telefônica, só pergunta uma coisa: quantos votos você trouxe?

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