Em Lagarto, Luizão Dona Trampi discursava no carro de som quando Rodrigo Valadares interrompeu sua fala para se dirigir ao público. Luizão parou, esperou e depois continuou. Pronto: o homem do “pé embaixo” descobriu que, no palanque do PL, existe um pedal misterioso chamado “agora é minha vez”. A carreata seguiu, mas a cena ficou. O microfone passou de mão; a pergunta, não: custava deixar o companheiro terminar a frase?
Os dois formam uma dupla que nenhum roteirista precisaria inventar. Luizão chega com o jeito espalhafatoso de quem liga o motor e conversa até com o poste. Rodrigo entra com a postura de quem quer organizar o trânsito, escolher a rota e, pelo visto, também controlar o volume do rádio. Na hora da interrupção, um ficou com a palavra e o outro com aquela pausa que fala por si. O eleitor, que sabe reconhecer uma saia justa de longe, ganhou um espetáculo dentro do espetáculo.
É aí que a graça começa a cutucar. O PL pede união nas ruas, mas, se a disputa pelo microfone aperta entre aliados, imagine a reunião para decidir quem senta na frente do carro! Luizão já disse que o político precisa “respeitar cada eleitor de Sergipe”. Está certo. Convém estender a gentileza ao candidato ao lado: quem pede cinco minutos para convencer o povo merece ao menos chegar ao ponto final. Rodrigo conseguiu falar naquele instante; politicamente, porém, a interrupção deu a Luizão uma cena que discurso nenhum conseguiria ensaiar.
Um episódio desses não basta para decretar guerra no partido nem para adivinhar a intenção de Rodrigo. Basta, sim, para render uma crítica com endereço certo: liderança também sabe escutar. Se todo mundo pega o microfone antes de o outro acabar, a carreata vira disputa de locutor e o eleitor acaba torcendo para o carro de som passar logo. Luizão retomou a fala, Rodrigo fez a sua, e o PL seguiu viagem. Só faltou combinar uma regra simples para a próxima parada: no partido da liberdade, deixem o sujeito terminar a frase.




