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R$ 2,55 milhões para modernizar o Detran: a conta corre, mas a fila anda?

O Pregão Eletrônico nº 293/2026 do Detran de Sergipe pede mais que carimbo e linguagem de edital. Pede uma calculadora em cima da mesa. O Estado estimou o pacote em R$ 2.650.000,00; a proposta vencedora ficou em R$ 2.553.000,00. Economia de R$ 97 mil, ou cerca de 3,66%. O contrato reúne gestão de filas, plataforma multimídia, manutenção tecnológica e conteúdo educativo. Não são R$ 2,6 milhões gastos apenas em vídeos. Ainda assim, um item salta da planilha e praticamente pede entrevista: R$ 840 mil estimados para 60 minutos de conteúdo, a R$ 14 mil por minuto. Nesse preço, o contribuinte pode muito bem pedir para ver o roteiro e, principalmente, a memória de cálculo.

A maior parcela prevista é a do sistema integrado de filas e da plataforma multimídia: R$ 129 mil por mês durante um ano, totalizando R$ 1.548.000,00. O edital ainda estimou R$ 67 mil para cinco minutos adicionais de conteúdo, a R$ 13,4 mil por minuto, e R$ 195 mil para 3.000 Unidades de Serviços Técnicos, a R$ 65 cada. As quatro parcelas fecham os R$ 2,65 milhões do orçamento oficial. Produzir conteúdo com qualidade pode custar caro; ninguém espera que se grave uma campanha educativa com um celular apoiado no balcão. Mas, quando um minuto custa R$ 14 mil na estimativa pública, “multimídia” deixa de ser explicação suficiente. É hora de mostrar o preço de cada etapa.

O caminho do pregão também não foi uma linha reta. Segundo os registros oficiais citados, houve suspensão, prorrogação e republicação antes da homologação, concluída em 25 de setembro de 2026. A INFOTC Serviços Eireli venceu com proposta global de R$ 2.553.000,00. Essas movimentações, por si, não indicam irregularidade. Indicam, porém, que o Detran tem perguntas concretas a responder: o que mudou no Termo de Referência? Houve impugnações? Quantas empresas disputaram efetivamente o preço? E como uma contratação estimada em R$ 2,65 milhões terminou apenas 3,66% abaixo do teto? Transparência não é publicar um arquivo e esperar que o cidadão faça arqueologia digital.

Depois vem a prova que interessa a quem precisa do serviço: a fila vai diminuir? O Detran deve informar quantas unidades receberão o sistema, quais equipamentos e programas estão incluídos, qual é o tempo de espera atual e que metas a empresa terá de cumprir. Tela nova impressiona em fotografia; atendimento mais rápido impressiona quem passou a manhã segurando uma senha. Se a plataforma custar milhões e o cidadão continuar plantado no mesmo lugar, a modernização terá aprendido apenas a emitir nota fiscal.

Os dados apresentados até aqui não comprovam superfaturamento, fraude ou direcionamento. Comprovam que há uma contratação de R$ 2.553.000,00 cujo orçamento incluiu R$ 840 mil para 60 minutos de conteúdo e R$ 1.548.000,00 para doze meses de sistema e plataforma. Esses são valores estimados por item, e não se deve confundi-los automaticamente com a distribuição da proposta vencedora. Justamente por isso, o Detran precisa publicar de forma acessível a pesquisa de preços, a planilha detalhada da vencedora, a memória de cálculo e as metas de desempenho. O sergipano já tira senha para resolver problema demais. Para saber como será gasto o próprio dinheiro, a resposta deveria vir sem fila

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