A campanha para o Governo de Sergipe chega aos seus últimos metros com três personagens ocupando espaços muito diferentes na fotografia eleitoral. Fábio Mitidieri encerra a disputa apoiado na estrutura de governo, numa ampla rede de prefeitos e lideranças e numa estratégia de multiplicar atos pelo Estado. Nos últimos dias, esteve em mobilizações como o Fogaréu de Itabaiana, ao lado de aliados, enquanto sua campanha procura manter o discurso centrado nas realizações da gestão e na continuidade administrativa. É o candidato que chega à reta final tentando transformar estrutura política e entrega governamental em argumento eleitoral.
Dr. Helton Monteiro percorreu outro caminho. Sem a mesma estrutura dos dois principais adversários, investiu numa campanha de presença direta, panfletagem, conversas e circulação por bairros e espaços populares de Aracaju. É uma candidatura que procurou ocupar o debate e manter uma identidade própria até o fim, mesmo enfrentando uma disputa fortemente polarizada pelos dois nomes que concentraram a maior parte da atenção pública. Na reta final, seu desafio foi justamente continuar sendo ouvido enquanto a eleição se afunilava.
Valmir de Francisquinho, por sua vez, chega ao último dia com uma característica que marcou praticamente toda a sua campanha: rua. Feira, caminhada, abraço, carreata, contato direto e uma comunicação construída sobre a imagem do político que prefere estar no meio da população. Neste sábado, sua programação combina visita à Feira de Nossa Senhora de Lourdes e uma grande carreata em Aracaju. E há um componente político relevante: Valmir chega à reta final depois de ver antigos adversários e setores que começaram a eleição em outros palanques se aproximarem de sua candidatura. A campanha tenta transformar essas adesões e a mobilização popular em sua principal imagem de encerramento.
Talvez seja justamente esse contraste que melhor explique os últimos dias da eleição sergipana. Fábio mostra estrutura; Helton insiste na presença e na identidade própria; Valmir aposta fortemente na rua e na proximidade popular. Em campanha eleitoral, fotografia não substitui urna e carreata não é pesquisa. Mas existe uma linguagem política que não precisa de legenda: candidato cercado de gente, feira cheia, abraço, bandeira e militância produzem uma mensagem visual poderosa. Valmir escolheu terminar assim, onde sua campanha sempre procurou parecer mais confortável: menos atrás de uma mesa e mais no meio da multidão. No domingo, caberá ao eleitor dizer quanto essa imagem vale em votos.




