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André Moura na dianteira e a guerra dos números na reta final

André

A nova rodada do Instituto CTAS acrescenta mais uma fotografia a uma eleição para o Senado que já parece álbum de família com fotógrafos diferentes. O levantamento ouviu 1.224 eleitores em 50 municípios, entre 24 e 28 de setembro, com margem de erro de 2,8 pontos, e está registrado sob o número SE-04019/2026. No consolidado dos votos válidos para as duas vagas, André Moura aparece com 22,6%, numericamente na primeira posição e 3,7 pontos à frente do segundo colocado. É um dado relevante, especialmente porque levantamentos recentes da Global e da W1 também o colocaram na dianteira. Mas pesquisa não melhora quando a torcida segura a calculadora: se a divulgação informa 3,7 pontos de vantagem, o segundo colocado corresponderia a 18,9%, e não aos 20% atribuídos em algumas versões a Rogério Carvalho. Número eleitoral já exige cuidado; número temperado pela conveniência vira propaganda disfarçada.

A complicação é que Sergipe elegerá dois senadores. Cada eleitor dispõe de dois votos, portanto pesquisa para o Senado não funciona como disputa de governador. Alguns institutos somam primeira e segunda escolhas, outros divulgam separadamente, outros convertem as menções em votos válidos. A W1, por exemplo, apresentou André Moura com 18,38%, André Davi com 16,31%, Rogério Carvalho com 15,25% e Alessandro Vieira com 14,38%. 

A sequência recente mostra como o quadro varia. A TWS, com entrevistas entre 13 e 15 de setembro, colocou Rogério Carvalho em primeiro nos votos válidos, com 21,64%, enquanto André Moura aparecia com 11,35%. Dias depois, a Global trouxe André Moura com 18,9%, André Davi com 17,7%, Rogério com 16,6% e Alessandro com 15,8%. Depois vieram CTAS e W1 novamente com André Moura numericamente à frente. Não significa que uma pesquisa seja santa e outra pecadora. Significa que mudam amostra, período, pergunta e metodologia. Escolher apenas o levantamento que agrada é menos ciência política e mais campeonato brasileiro de instituto preferido.

O dado realmente relevante é que André Moura aparece competitivo e, em três levantamentos recentes citados aqui, ocupa numericamente a primeira posição. Isso merece registro, não coroação antecipada. Pesquisa não é urna de bolso nem diploma entregue antes da eleição. É retrato probabilístico de um grupo de eleitores num determinado momento. No Senado, onde cada cidadão leva dois votos para a cabine, quem lê apenas o primeiro percentual pode sair comemorando antes de entender o que foi medido. O jornalismo começa justamente onde termina a torcida: na pergunta incômoda sobre de onde saiu o número.

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