O governo Fábio Mitidieri lançou concorrência estimada em R$ 1.788.804,08 para adequações elétricas em três escolas estaduais de Malhada dos Bois, Capela e São Cristóvão. Modernizar a rede é necessário; esconder o detalhamento, não. Quais escolas receberão as obras? Quanto custará cada intervenção? Qual laudo demonstra a necessidade de novos circuitos, pontos de força e aumento de carga? O dinheiro não sai da tomada: sai do bolso do sergipano. E quase R$ 1,8 milhão exigem explicação técnica, não propaganda.
Em Malhada dos Bois, o Colégio Emiliano Guimarães já aparecia em relatório antigo da Controladoria por rachaduras. O registro é de gestão anterior e ainda não se confirmou que a escola integra o novo edital. Justamente por isso, a Seduc precisa revelar o histórico de reformas, datas, custos e providências efetivamente concluídas. Em educação, tinta fresca não substitui instalação segura; fotografia de inauguração tampouco substitui laudo.
Em Capela, o governo firmou, em julho de 2026, contrato de R$ 5.988.866,89 para reformar e ampliar o Centro de Excelência Professora Maria Berenice Barreto Alves, incluindo instalações elétricas e cabeamento. A nova disputa também contempla uma escola do município. É a mesma? Se for, há serviços coincidentes? Se não, por que o edital resumido não esclarece? Não se acusa duplicidade sem provas, mas tampouco se aceita um quebra-cabeça milionário como prestação de contas.
Em São Cristóvão, o nome da unidade atendida tampouco foi confirmado nos dados consultados. Quantas escolas receberam climatização antes das adequações elétricas? Quais precisam de transformadores, quadros e redes novas? O governador anuncia a escola do futuro, mas a população quer saber se a infraestrutura do presente aguenta o interruptor. Sem projetos públicos, planilhas itemizadas e diagnósticos, a fiscalização vira adivinhação.
Fica o apelo às Promotorias de Justiça com atribuição em Malhada dos Bois, Capela e São Cristóvão e aos órgãos do MPSE responsáveis pela tutela do direito à educação: examinem os projetos, os contratos anteriores, os laudos e eventual sobreposição de despesas. Que o GAECO seja acionado para apoio técnico-investigativo se surgirem indícios concretos de ilícitos complexos, dentro de suas atribuições. O Tribunal de Contas também deve fiscalizar preventivamente. Licitação não prova irregularidade e orçamento estimado não é dinheiro gasto; porém, silêncio diante de perguntas objetivas não combina com gestão responsável. Se a conta está certa, que a Seduc prove, centavo por centavo. A educação precisa de luz; o governo, de transparência.




