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Socorro: o tanque é público, o palanque não

Em Nossa Senhora do Socorro, a pergunta continua abastecida: veículos e combustível pagos pelo povo teriam servido a atividades eleitorais? Em 8 de setembro, o vereador Luiz Paulo Panzuá disse na Câmara que apurava denúncias sobre transportes vinculados à prefeitura, incluindo viagens atribuídas a um secretário e ônibus locados circulando à noite. Citou uma campanha ao Senado, sem identificar o candidato. A suspeita é grave, mas ainda não é prova. O problema é a denúncia estacionar no plenário e ninguém apresentar o itinerário. Veículo público não é Uber de candidato; combustível municipal não é vale-posto de campanha!

O prefeito Samuel Carvalho precisa abrir a garagem e, principalmente, os arquivos: quais veículos circularam, quem dirigiu, quem autorizou, qual foi o destino e quem estava a bordo? Cadê os diários de bordo, contratos de locação, notas de abastecimento e registros de GPS, quando houver? Com esses documentos, a prefeitura pode esclarecer os fatos e afastar suspeitas. Sem eles, sobra a política do ‘confia em mim’, combustível que não deveria mover administração nenhuma. A Câmara também precisa fiscalizar: discurso inflamado dá manchete; documento público dá resposta.

Cabe provocar o Ministério Público Eleitoral, se ainda não houver representação, para verificar a denúncia, ouvir Panzuá, identificar veículos e confrontar viagens, abastecimentos e eventuais compromissos de campanha. A Controladoria e o Tribunal de Contas podem examinar o uso dos bens públicos dentro de suas atribuições. Nas fontes consultadas, não foi encontrado desfecho público conclusivo sobre procedimento, arquivamento ou responsabilização. Isso não prova irregularidade, mas exige esclarecimento. E o vereador também deve satisfação: o que apurou, quais provas reuniu e a quem entregou? Denúncia não pode ser foguetório de sessão: faz barulho, sobe e desaparece no céu.

E você, socorrense, que paga imposto e conta moedas no fim do mês: quer saber se o tanque da prefeitura rodou a serviço da cidade ou de algum palanque? Ninguém deve ser condenado sem prova, inclusive o prefeito e servidores citados. Se houve uso eleitoral indevido, identifiquem-se os responsáveis e adotem-se as medidas cabíveis; se não houve, divulguem-se os registros e a conclusão. Não basta pedir confiança: é preciso permitir a fiscalização. A prefeitura não é comitê eleitoral sobre rodas, e o cidadão não é frentista voluntário de campanha. Socorro merece saber quem viajou, quem pagou e onde foi parar a apuração.

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