Meu amigo são-cristovense, aperte o cinto da cadeira: São Cristóvão, fundada em 1590 e considerada a quarta cidade mais antiga do Brasil, já soma 436 anos. Talvez por isso a entrega das quentinhas exija uma logística quase colonial! A prefeitura lançou pregão estimado em R$ 4,09 milhões para lanches, cafés e refeições, incluindo 28.525 sanduíches naturais. Vai alimentar quem? Qual secretaria pediu tantos? Quem confere as entregas? Prefeito Júlio Nascimento, mostre o cardápio e a planilha! É registro de preços, não despesa já realizada, mas o cidadão não precisa esperar mais quatro séculos para entender a conta.
No futebol, outro lance milionário: R$ 2,53 milhões previstos para reformar o Campo do Renatão, com drenagem, arquibancada e vestiários. O esporte merece estrutura, mas o torcedor quer ver orçamento e cronograma antes de gritar gol. E tem combustível: R$ 301 mil contratados na Assistência Social. Para quantos veículos? Com qual consumo e fiscalização? São Cristóvão tem patrimônio histórico, mas prestação de contas não pode ser peça de museu. O contribuinte banca o jogo e merece conhecer o placar.
Aqui o humor sai de campo: São Cristóvão declarou 888 casos de violência contra a mulher em diagnóstico do Tribunal de Contas em 2026, maior número absoluto entre os municípios participantes. Isso não demonstra maior taxa proporcional nem responsabiliza a prefeitura pelas agressões. Mas impõe perguntas urgentes: quantas vítimas tiveram acolhimento, proteção e assistência psicológica? Qual o orçamento da rede? Mulher ameaçada não precisa de discurso de inauguração; precisa de uma porta segura aberta na hora certa.
Para fechar, há R$ 23,1 mil estimados em ração, medicamentos e insumos para animais apreendidos. É necessário cuidar deles; igualmente necessário é saber quantos são e onde ficam. Ministério Público e Tribunal de Contas devem examinar, dentro de suas atribuições, quantitativos, preços e execução desses procedimentos. Não há prova apresentada de fraude ou superfaturamento. Mas diga aí, são-cristovense: esses gastos combinam com as prioridades da sua rua? A quarta cidade mais antiga do país merece fiscalização do século XXI. Dinheiro público não é buffet livre, nem herança de família: quem paga a conta exige recibo.



