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BRASÍLIA PREPARA O NOVO GOVERNO. SERGIPE VAI LEVAR PROJETOS OU APENAS A MALA?

Imagine um agricultor de Sergipe querendo instalar irrigação, um comerciante precisando ampliar o negócio e uma pequena indústria tentando contratar mais trabalhadores. Todos podem recorrer ao Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A Sudene projetou R$ 3,2 bilhões para o Estado em 2027: R$ 877,3 milhões para agricultura, R$ 670,7 milhões para infraestrutura e R$ 583,4 milhões para comércio e serviços, entre outros setores. Parece loteria. Mas não é dinheiro depositado na conta do governador nem presente para prefeito cortar fita. É crédito, sujeito a análise, projetos e pagamento. Brasília anuncia a oportunidade. Sergipe precisa mostrar quem está preparado para aproveitá-la.

O produtor não sai do banco carregando milhões num carrinho de mão. Precisa demonstrar a viabilidade do investimento e cumprir exigências bancárias. É aí que entra a cobrança ao governo Fábio Mitidieri: onde estão o apoio técnico aos pequenos negócios, a articulação com cooperativas e os projetos capazes de gerar emprego? A Sudene prevê prioridade regional para empreendedores menores e para o semiárido. Boa notícia para quem enfrenta a seca. Só falta transformar a oportunidade em proposta financiável. Porque aplauso não substitui projeto e foto de reunião não irriga roça.

E atenção à confusão que costuma aparecer nos palanques: FNE é financiamento produtivo, não um cheque sem devolução para construir hospital, escola ou rede de esgoto. Obras públicas dependem de outras fontes, como orçamento, convênios ou Novo PAC. A pergunta, então, é dupla: quais investimentos privados estão sendo preparados para buscar o FNE e quais obras públicas já têm projeto, licença e fonte de custeio? Sem essa distinção, somam-se bilhões no microfone e entrega-se ao cidadão apenas a conta da esperança.

Também não basta dizer que Sergipe tem potencial. Potencial sem planejamento é propaganda com diploma. Governo, bancada e municípios deveriam apresentar projetos, responsáveis, prazos e obstáculos. Não há prova de que faltem projetos, mas falta mostrá-los. A programação de 2027 ainda passará pela consolidação da Sudene, e as contratações dependerão da aprovação do crédito. Enquanto Brasília organiza seus gabinetes, o sergipano quer saber quem está organizando os resultados. Porque desenvolvimento não se mede pelo número de autoridades na fotografia, mas pelo emprego que chega à porta de casa.

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