O governo Lula acaba de descobrir um perigo que passou despercebido por gerações: desenho bíblico na televisão! O Ministério da Justiça classificou o Record Kids como não recomendado para menores de 12 anos, citando violência, atos criminosos, drogas lícitas e preconceito. Davi venceu Golias com uma pedra; agora, para enfrentar a burocracia, vai precisar de advogado, parecer técnico e senha do protocolo. Enquanto o país espera respostas para a criminalidade de carne e osso, o gigante de desenho animado virou assunto de gabinete.
A recomendação de exibição passou para depois das 20 horas. Atenção: não é proibição, e os pais continuam podendo decidir o que os filhos assistem. Ainda assim, é uma contradição digna de comédia: a criança ouve na igreja sobre Caim e Abel, o dilúvio e a crucificação, mas o mesmo universo bíblico, em animação, ganha carimbo de cautela. Faltou só o ministério pedir exame criminológico ao lobo que engoliu a Chapeuzinho!
E a régua de proteção à infância, vale para todo mundo? Crianças também frequentam atos políticos, comícios e eventos públicos onde podem aparecer discursos agressivos, imagens inadequadas ou situações de tumulto. Paradas LGBT, como qualquer manifestação, não são impróprias por definição; o cuidado deve recair sobre conteúdos e circunstâncias concretas. Se a preocupação é a idade, que seja a mesma para todas as bandeiras, palanques e telas. O que não dá é uma régua para a Bíblia e outra para o resto do planeta.
Na escola, o MEC divulgou em 2026 orientações para abordar violência de gênero e respeito às diferenças, com recomendações distintas conforme a etapa de ensino. O FNDE também apresentou o guia dos livros didáticos de 2027 a 2030 para o 1º ao 5º ano. Isso não prova que os livros ensinem crianças a trocar de identidade sexual, como circula em acusações sem demonstração. Mas dá ao governo uma obrigação simples: mostrar o material, explicar a idade indicada, ouvir professores e famílias e abrir o debate. Transparência não deveria precisar de classificação indicativa.
E viva o evangélico e o cristão que votou no governo Lula e agora precisa assistir à burocracia fazendo avaliação de risco até do pequeno Davi! Cada cidadão tem liberdade para votar em quem quiser, assim como para cobrar coerência de quem elegeu. Não se demonstrou perseguição aos cristãos, mas o Ministério da Justiça deve explicar quais cenas justificaram a nova classificação e permitir escrutínio público. Porque, se a prioridade virou fiscalizar desenho bíblico, só falta chamar Noé para depor por transporte irregular de animais.




