A advocacia sergipana acordou com mais um episódio da série “Mistérios da Ordem”. O radialista Marcos Aurélio, aquele que tem mais furo que o Edital do Quinto, resolveu jogar gasolina no café da manhã jurídico. Disse, com a tranquilidade de quem sabe o peso da frase: “Quero parabenizar a sugestão de incluir a vaga para PCD, mas a informação que chegou até mim é de que teria sido feita para beneficiar uma determinada pessoa. E aí, quando me disseram o nome, eu pensei: mas essa pessoa não tem deficiência!”
Foi o suficiente. A notícia rodou nos grupos de WhatsApp da classe mais rápido que petição de liminar em plantão de domingo. De repente, todo mundo virou detetive: “quem será o beneficiado misterioso?” Uns juram que sabem. Outros garantem que é mentira. E a maioria torce pra que seja só fofoca, porque se for verdade, a OAB/SE vai precisar de mais que nota de esclarecimento: vai precisar de cura moral em caráter de urgência.
A ironia é que a Ordem acaba de retomar o processo do Quinto Constitucional, parado há mais de um ano, e a primeira manchete é… suspeita de manobra. É como reformar o carro e, no primeiro dia, esquecer o freio de mão. E o pior é o timing: a OAB/SE já carrega uma fila de pendências, eleições atrasadas, sistema digital travado, regras que mudam no meio da partida. A advocacia sergipana parece estar jogando um campeonato sem juiz e com bola murcha.
Se for mentira, Marcos Aurélio deve explicações. Se for verdade, a OAB/SE deve respostas. E é por isso que o presidente Daniel Alves precisa agir e rápido. Não basta “lamentar o episódio”. É hora de interpelar judicialmente o radialista, exigir que ele diga quem soprou essa história, antes que o rumor vire manual de campanha. A advocacia não aguenta mais um escândalo de bastidor travestido de boa intenção.
Porque sejamos francos: incluir vaga pra Pessoa com Deficiência é avanço. Agora… criar vaga pra pessoa com influência não é legal. E se a OAB de Sergipe não esclarecer isso logo, o povo vai começar a achar que a sigla significa “Organização dos Amigos do Benefício”.
A advocacia sergipana quer acreditar que tudo isso é mentira, invenção de corredor, ruído de rádio mal sintonizado. Mas enquanto ninguém fala oficialmente, o silêncio da Ordem ecoa mais alto que o microfone da denúncia. E no fim, o problema é sempre o mesmo: a OAB fala em ética, mas tropeça no próprio tapete. De tanto cuidar da “imagem institucional”, parece ter esquecido da substância moral. E moral, meu caro leitor, não tem edital, tem exemplo.




