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CBF e a liga única para o futebol brasileiro 

A reunião da chamada liga única não foi apenas mais um encontro protocolar, desses em que se serve café quente e se entrega discurso frio, foi um daqueles momentos em que Brasília do futebol se reúne, se olha, se mede e tenta, ao mesmo tempo, vender união enquanto disputa poder nos bastidores, e quem abriu o jogo foi Samir Xaud, presidente da CBF, entidade máxima do futebol brasileiro, responsável por organizar as competições nacionais e por conduzir politicamente o esporte no país, que tratou o encontro como histórico e colocou a criação da liga como prioridade absoluta, tentando mostrar liderança sem assumir o ônus de ser o dono do projeto.

Ao lado dele apareceu Gustavo Dias, vice presidente da CBF, homem de articulação interna, responsável por dialogar com clubes e federações, que entrou na reunião com discurso de mediador, dizendo que a liga precisa nascer dos clubes, mas deixando no ar aquela mensagem típica de bastidor, a CBF quer conduzir o processo sem parecer que está conduzindo, quer influenciar sem assumir a bronca, quer ser árbitro jogando dentro de campo, o que no futebol brasileiro, como todo mundo sabe, nunca termina em jogo limpo.

Do outro lado da mesa estavam os 40 clubes das Séries A e B, cada um com seu presidente, seus interesses, seus contratos e, principalmente, seus egos, divididos em dois blocos que hoje funcionam quase como partidos políticos do futebol, a Libra, grupo que reúne clubes de maior faturamento e maior exposição, e a Futebol Forte União, bloco formado por clubes que buscam equilíbrio de receitas e maior participação nas decisões, e no meio desse tabuleiro aparecem personagens como Luiz Eduardo Baptista, o Bap, dirigente histórico do Flamengo, ex presidente do clube e figura influente nas negociações comerciais do futebol brasileiro, conhecido por seu perfil duro e estratégico, e Adson Batista, presidente do Atlético Goianiense, um dos dirigentes mais respeitados do país na gestão de clube médio, reconhecido pela organização administrativa e pela capacidade de manter competitividade com orçamento limitado.

A CBF chegou com um estudo pronto, resultado de visitas e análises de ligas europeias como a Premier League da Inglaterra, a La Liga da Espanha e a Bundesliga da Alemanha, tentando entender por que lá o futebol é tratado como indústria de alto valor e aqui ainda patina entre calendários confusos, gramados ruins e contratos desiguais, e colocou na mesa temas que o torcedor discute há décadas, calendário bagunçado, qualidade técnica, excesso de estrangeiros, modelo de rebaixamento, finanças frágeis e a saída precoce de talentos, ou seja, tudo aquilo que o povo já resolve no grito no bar virou pauta formal com slide e ar condicionado.

Mas o ponto central, e aqui mora a verdade que ninguém diz em voz alta, é que todos querem a liga, desde que seja sob o seu controle, a CBF quer coordenar sem perder poder, os clubes querem organizar sem abrir mão de receita e os blocos Libra e Futebol Forte União querem dividir o bolo sem diminuir o próprio pedaço, resultado, nasce um consenso bonito na fala e uma disputa silenciosa na prática, porque no futebol brasileiro a bola até rola no campo, mas o jogo que decide mesmo acontece na mesa, com contrato, influência e vaidade.

E enquanto essa engrenagem gira, quem acompanha tudo de verdade é o torcedor, que nas redes sociais reage com uma mistura de esperança e desconfiança, alguns dizendo que agora vai, outros lembrando que já ouviram esse discurso antes, e a pergunta que fica, sem rodeio, é direta, essa liga única vai organizar o futebol brasileiro ou vai virar mais um capítulo dessa novela onde todo mundo fala em união, mas joga sozinho, porque no fim das contas, no Brasil, o espetáculo começa no gramado, mas sempre termina no bastidor.

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