A pauta destacada por Rita Oliveira no RO Acontece colocou um dado importante no centro da eleição sergipana: André Moura iniciou a campanha oficial aparecendo como o candidato mais lembrado espontaneamente para o Senado. No levantamento do Instituto França, André alcançou 3,91%, seguido por Eduardo Amorim, com 2,87%, Rogério Carvalho, com 2,70%, Alessandro Vieira, com 2,08%, e André David, com 1,75%. Na espontânea, o entrevistador não apresenta nomes, o que torna o resultado relevante como indicador de lembrança eleitoral.
Mas o páreo está longe de definido. O próprio Instituto França mostra cenários diferentes quando os nomes são apresentados ao eleitor. André David lidera o primeiro voto estimulado, enquanto Rogério Carvalho aparece na frente no segundo voto. André Moura ocupa posição competitiva, mas não isolada. Além disso, mais de 76% dos entrevistados não citaram espontaneamente nenhum candidato, o que revela um eleitorado ainda muito aberto e capaz de alterar profundamente a ordem da disputa até outubro.
A força de André Moura está justamente na combinação entre pesquisa e estrutura política. No início de agosto, a Real Time Big Data já o colocava no primeiro pelotão, próximo de André David e Eduardo Amorim. Agora, o Instituto França o coloca na liderança espontânea. Institutos diferentes não podem ser somados como se formassem uma única série, mas os levantamentos revelam um dado político claro: André vem aparecendo de forma recorrente entre os candidatos mais competitivos.
Outro diferencial é sua capilaridade municipal. A campanha de André afirma contar com o apoio de 61 dos 75 prefeitos de Sergipe. Esse número parte da própria candidatura e precisa ser tratado com a devida cautela, mas há manifestações públicas de apoio em diferentes municípios e uma intensa agenda de reuniões com gestores. Essa aproximação com prefeitos fortalece sua presença no interior e ajuda a transformar articulação política em estrutura eleitoral.
André também carrega um currículo que dialoga diretamente com essa estratégia. Ex-prefeito, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-líder do governo Michel Temer no Congresso, construiu sua imagem política em torno da capacidade de articulação em Brasília e da liberação de recursos para municípios. A campanha tenta transformar essa experiência em uma mensagem simples: André conhece os caminhos do poder federal e pode usar essa relação em favor de Sergipe.
A corrida, contudo, permanece extremamente apertada. Rogério Carvalho, Alessandro Vieira, Eduardo Amorim, André David, Edvaldo Nogueira e Rodrigo Valadares continuam competitivos em diferentes cenários. Como o eleitor terá dois votos para o Senado, a eleição permite combinações, alianças cruzadas e mudanças rápidas de preferência. É por isso que nenhum candidato pode se considerar eleito neste momento.
O fato novo é que André Moura conseguiu transformar sua estrutura política em presença concreta nas pesquisas. Liderar a espontânea no início da campanha não garante uma cadeira, mas mostra força de lembrança, capilaridade e capacidade de articulação. O Senado sergipano continua aberto, com vários nomes fortes disputando apenas duas vagas. Neste primeiro momento, porém, André Moura conseguiu fazer aquilo que todo candidato deseja no começo de uma campanha: colocar seu nome no centro da conversa.




