A pesquisa foi a grande estrela das últimas 24 horas e entrou na campanha como parente animado em casamento: chegou chamando atenção, ocupou a mesa principal e ainda quis sair em todas as fotografias. Fábio Mitidieri apareceu com 41,3%, Valmir de Francisquinho com 34,2% e Ricardo Marques com 14,4%. O governador levou a manchete para casa, mas pesquisa é fotografia, não escritura registrada em cartório. E, em campanha, até fotografia pode sair tremida.
Fábio lidera, mas carrega uma mala que já está cobrando excesso de bagagem. Tem professor em greve, problema no abastecimento de água e contrato milionário brotando mais rápido que promessa em horário eleitoral. Na televisão, o Governo apresenta um Sergipe tão perfeito que só falta anunciar água mineral saindo da torneira. Na rua, o cidadão procura professor na escola, água no chuveiro e uma calculadora capaz de entender tanto milhão contratado.
Valmir continua firme, competitivo e com estrada para crescer. Depois das vitórias no STJ e no TRE, finalmente deixou de disputar eleição contra carimbo, processo e papelada para voltar a disputar voto com gente de carne, osso e título eleitoral. Agora precisa pisar no acelerador, ampliar sua presença pelo estado e transformar o carinho popular numa campanha organizada. Porque abraço é importante, mas eleição também exige agenda, proposta e gasolina no carro.
Ricardo Marques ganhou uma senhora garrafa de oxigênio com os 14,4%. O problema é descobrir se o próprio PL pretende ajuda-lo a respirar ou se continuará escondendo o cilindro atrás da cortina. Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina seguem quase invisíveis no debate, fazendo uma campanha tão discreta que, se diminuir mais um pouco, será necessário chamar o Instituto de Criminalística para localizar os candidatos.
No resumo da rodada, Fábio ficou com o melhor número, Ricardo encontrou uma surpresa embrulhada para presente e Valmir permaneceu como o adversário que ninguém pode dar por vencido. A campanha está aberta, o eleitor ainda observa e a urna não deu uma palavra sequer. E urna, meu amigo, é um bicho teimoso: não assiste propaganda, não recebe marqueteiro e costuma estragar festa organizada antes da apuração.




