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24 HORAS: Nove dias para a urna: Valmir aperta o passo e empate técnico esquenta a disputa

Faltam nove dias. E, meu amigo, nove dias numa eleição apertada em Sergipe são quase uma novela inteira comprimida numa semana e mais dois capítulos. As últimas 24 horas mostraram exatamente isso. Fábio Mitidieri apareceu embalado por uma pesquisa ECM que lhe deu uma vantagem confortável, enquanto Valmir de Francisquinho teve outro levantamento para colocar na mesa e dizer que a conversa eleitoral não terminou. A Real Time Big Data mostrou Fábio com 43% e Valmir com 38% no primeiro turno e, quando colocou apenas os dois frente a frente numa eventual segunda rodada, encontrou 46% para Fábio e 43% para Valmir, situação classificada como empate técnico dentro da margem de erro. Então o eleitor sergipano acordou com uma pesquisa dizendo uma coisa, tomou café vendo outra fotografia da eleição e provavelmente terminou o dia perguntando onde estava mesmo o carregador do celular. Pesquisa não é urna e instituto não tem bola de cristal, mas uma diferença tão pequena no confronto direto ajuda a explicar por que ninguém pode se dar ao luxo de passar esses nove dias olhando a campanha pela janela.

E foi justamente Valmir quem apareceu nessas últimas horas procurando transformar o relógio em movimento. Reuniu se com representantes do magistério, assinou compromisso com professores e ainda viu chegar ao seu projeto o apoio anunciado por candidatos que estavam ligados ao campo adversário. É uma estratégia bastante diferente daquela de quem pode apresentar a máquina administrativa e os números do governo. Fábio mostra gestão, obras, agenda e pesquisas favoráveis. Valmir procura gente, setores organizados, apoios e insatisfações espalhadas pelo Estado. Um apresenta a vitrine, o outro tenta descobrir quem está olhando o preço. É a reta final completa: tem professor, pesquisa, adesão, decisão judicial e candidato andando tanto que o aplicativo de saúde do celular deve estar perguntando se virou atleta olímpico.

E no meio dessa avenida onde Fábio e Valmir ocupam boa parte do trânsito ainda existem Ricardo Marques, Helton Monteiro, Emanuel Cacho e Taty Cristina procurando espaço para passar. Ricardo apareceu com 10% na Real Time Big Data e continua tentando estabelecer uma terceira via num ambiente cada vez mais polarizado pelos dois primeiros colocados. Helton tenta levar suas propostas e sua visão política para uma disputa em que tempo de exposição virou artigo de luxo. Emanuel Cacho precisa aproveitar cada entrevista e cada aparição para mostrar ao eleitor que existe alternativa fora dos nomes que dominam as pesquisas. Taty enfrenta desafio semelhante. É quase uma corrida de ônibus no horário de pico: Fábio e Valmir estão na frente discutindo quem chega primeiro ao terminal, Ricardo tenta pegar o corredor, Emanuel procura uma brecha, Helton pede passagem e Taty avisa lá do fundo que também comprou passagem. O problema é que faltam nove dias e o motorista chamado calendário não pretende esperar ninguém.

É por isso que essas últimas 24 horas talvez expliquem melhor a eleição do que qualquer fotografia isolada. Fábio continua com vantagem numérica no primeiro turno da Real Time Big Data, mas Valmir aparece suficientemente próximo para manter o confronto político aceso e, num eventual segundo turno, os dois entram no intervalo estatístico do empate técnico. Valmir tenta fazer da rua e das articulações sua principal ferramenta, Fábio procura transformar governo e pesquisas em argumento eleitoral, Ricardo corre para impedir que a eleição vire conversa exclusiva de dois nomes, enquanto Emanuel, Helton e Taty precisam fazer em nove dias aquilo que toda candidatura sonha em fazer durante meses: ser vista, ser ouvida e convencer. Nove dias parecem pouco no calendário. Na política sergipana, entretanto, é tempo suficiente para aparecer pesquisa nova, surgir apoio inesperado, sair decisão judicial, mudar discurso, reorganizar palanque e ainda sobrar alguém dizendo que sempre soube de tudo. A única coisa que não aceita conversa é a urna. Essa chega no dia marcado e não pede opinião a instituto nenhum.

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