Nos bastidores, a construção da candidatura de Fábio Henrique deu mais voltas do que passageiro procurando ônibus em Socorro em dia de chuva. O roteiro original, segundo a leitura política local, era claro: Fábio Henrique abriu mão de disputar a Prefeitura, apoiou Samuel Carvalho e, dentro desse arranjo, teria o apoio do prefeito para deputado estadual. Só que, no meio do caminho, Fábio resolveu testar outra peça no tabuleiro e lançou o irmão, Adilson Júnior de Fábio Henrique, como herdeiro político da família. A ideia parecia simples no papel, mas política não é cartório de transferência de votos. Adilson Júnior não ganhou tração, não caiu no gosto da base e acabou mostrando que irmão pode herdar sobrenome, convivência e afeto, mas voto continua sendo mercadoria que o eleitor só entrega a quem reconhece como original.
Adilson Júnior não conseguiu despertar entusiasmo nem entre boa parte das lideranças locais. Nos corredores da política socorrense, a brincadeira corria solta. Diziam que era “o candidato da Shopee”: parecia com o original, mas o eleitor percebeu rapidamente que não era a mesma mercadoria. Muitos vereadores ligados ao prefeito Samuel Carvalho demonstravam muito mais disposição para caminhar ao lado de Fábio Henrique do que de Adilson Júnior. Aos poucos, o projeto foi perdendo tração, como carro velho tentando subir a ladeira do Conjunto Guajará carregado de promessa.
Foi nesse momento que Fábio Henrique voltou a ocupar naturalmente o centro do tabuleiro. E aí a comparação ficou inevitável. Se Adilson Júnior ainda buscava ser conhecido, Fábio já chegava com currículo pronto: vereador, prefeito por dois mandatos, deputado federal, secretário de Estado, policial rodoviário federal, radialista e um dos comunicadores mais conhecidos de Sergipe. Em política, experiência não garante vitória, mas costuma evitar que o candidato entre perdido no GPS eleitoral.
Nesse mesmo período surgiu outro capítulo que movimentou os bastidores. A saída de Fábio Henrique do União Brasil para o MDB despertou comentários e especulações sobre um possível afastamento do deputado André Moura, sua principal referência política. A realidade, porém, foi menos dramática do que as rodas de conversa tentaram vender. A avaliação política era simples: na federação formada por União Brasil e PP, a disputa proporcional seria extremamente competitiva, reduzindo significativamente as chances de eleição. No MDB, o caminho se apresentava mais viável. A mudança ocorreu dentro de um entendimento político, preservando a relação de respeito entre Fábio Henrique e André Moura, que o próprio Fábio jamais deixou de reconhecer como uma de suas maiores lideranças políticas.
No fim das contas, a política mostrou mais uma vez que planejamento é importante, mas o eleitor costuma ser o melhor marqueteiro de uma candidatura. O projeto inicial mudou, os personagens trocaram de posição e o tabuleiro foi reorganizado. Em Socorro, onde todo mundo conhece todo mundo e notícia corre mais rápido que carro de aplicativo, o candidato que parecia sair de cena voltou ao palco principal. E, convenhamos, entre a versão original e a cópia, o eleitor quase sempre prefere levar para casa o produto que já conhece.




