O 7 de Setembro em Aracaju teve banda, tropa, carro aberto e um palanque montado para impressionar até quem passasse de avião. Fábio Mitidieri esperava a fotografia da multidão, mas recebeu uma avenida sem o entusiasmo político prometido. A Polícia Militar estimou previamente 50 mil pessoas, porém não foi apresentada contagem final capaz de confirmar o número. Sobrou estrutura oficial e faltou vibração espontânea. O governador desfilou como protagonista, mas a apoteose esperada não compareceu à solenidade.
No meio do desfile surgiu o Grito dos Excluídos, com a participação do MST e o entusiasmo político de João Daniel. Não há prova de que o deputado tenha “mandado” o movimento ocupar a avenida, mas ele apareceu saudando e valorizando a mobilização. A pergunta incômoda é inevitável: João Daniel apoia Lula, pertence ao campo político que mantém relações com o governo Mitidieri e, ao mesmo tempo, abraça uma manifestação contra a exclusão. Afinal, o grito era contra quem? A oposição agora parece terceirizada dentro da própria base governista.
A contradição fica ainda mais divertida quando todos apoiam alguém que apoia alguém. João Daniel apoia Lula, Mitidieri também se aproxima de Lula, o MST prestigia João Daniel e depois todos aparecem denunciando os problemas produzidos ou administrados pelo mesmo campo político. É a rebelião com crachá de aliado, fotografia coletiva e lugar reservado no palanque. O Grito dos Excluídos é legítimo, mas perde força quando seus padrinhos políticos participam do condomínio do poder e fingem morar no acampamento da oposição.
Mitidieri queria transformar o desfile numa demonstração de popularidade, mas não conseguiu reunir a multidão política que tanto esperava. Havia público para assistir à solenidade, mas assistir a soldados não significa apoiar governador. Cerimonial não é pesquisa eleitoral, aplauso protocolar não é voto e fotografia aberta não fabrica entusiasmo. O palanque estava vistoso, o carro estava aberto e a bandeira estava no alto. Só a empolgação popular permaneceu em ponto morto, esperando alguém dar partida.




