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Thiago de Joaldo ficou na memória; Levi Oliveira entrou na conta da conveniência

A política é um terreno onde acordos são firmados todos os dias. Alguns resistem ao tempo. Outros mudam conforme o vento das conveniências. Em Propriá, a decisão do prefeito Luciano de Menininha de anunciar apoio ao vereador de Aracaju Levi Oliveira para deputado federal colocou esse velho dilema novamente sobre a mesa. Afinal, o que pesa mais: a fidelidade construída ao longo dos anos ou a estratégia partidária do momento? Em política, mudar de lado é um direito. Mas toda mudança tem um custo, e esse custo quase sempre é cobrado pela memória.

Thiago de Joaldo não escondia sua proximidade com o grupo político de Propriá. Destinou recursos para o município, articulou investimentos, acompanhou demandas e sempre fez questão de destacar a cidade em sua atuação parlamentar. É natural que esperasse reciprocidade. Quando o apoio não veio, preferiu adotar um discurso sereno, sem romper pontes nem incendiar o debate. Talvez tenha entendido que, na política, nem toda colheita acontece na mesma safra em que se planta. E isso também faz parte do jogo democrático.

Do outro lado, Luciano de Menininha justificou sua escolha dentro da lógica partidária. Levi Oliveira pertence ao PP, partido que também abriga o senador Laércio Oliveira, e a construção de um palanque unificado é um argumento legítimo dentro da dinâmica eleitoral. O próprio Laércio afirmou que a definição segue uma orientação partidária, não uma decisão pessoal. Ainda assim, ninguém ignora que a política também é feita de relações de confiança. E quando uma expectativa construída durante anos muda de direção, o debate deixa de ser apenas partidário para se tornar inevitavelmente político.

A situação lembra aquele samba antigo que parece ter sido escrito para os bastidores da política:“pagou com traição a quem sempre te deu a mão”. Guardadas as proporções, o verso cai como luva quando antigas alianças são deixadas no acostamento e novos acordos passam desfilando de carro oficial. Na política, porém, fidelidade eterna só existe em discurso de palanque. O que ontem era parceria vira cálculo. O que hoje é abraço pode ser apenas selfie com prazo de validade. No fim, quem sempre deu a mão pode acabar recebendo, em troca, apenas o troco frio da conveniência.

No fim, Propriá oferece mais uma lição sobre a natureza da política. Acordos são celebrados, alianças são construídas e, às vezes, desfeitas. Alguns apertos de mão atravessam décadas; outros duram apenas uma eleição. Cabe ao eleitor observar quem esteve presente quando a cidade precisou, quem entregou resultados, quem honrou compromissos e quem fez escolhas diferentes ao longo do caminho. Porque, no fim das contas, a política muda, os palanques mudam, os aliados mudam. Mas a memória do eleitor costuma ser mais resistente do que muitos imaginam.

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