A discussão sobre o plebiscito da Zona de Expansão ganhou uma nova qualidade a partir da atuação do procurador-geral de Aracaju, José Hunaldo Santos da Mota. Em vez de aceitar passivamente o discurso de que o calendário eleitoral havia encerrado qualquer possibilidade de consulta popular em 2026, Hunaldo fez aquilo que se espera de um advogado público preparado: estudou a legislação, identificou as alternativas jurídicas e abriu um canal institucional com o Tribunal Regional Eleitoral. Sua tese de que o plebiscito poderá ser realizado também em 25 de outubro, data reservada ao segundo turno, não é uma promessa vazia nem um improviso de palanque. É uma interpretação jurídica consistente, considerada plausível na reunião com a presidente do TRE-SE, e que devolveu ao debate algo que alguns setores pareciam interessados em retirar da população: o direito de decidir.
Hunaldo também demonstrou honestidade intelectual ao reconhecer que o processo não depende apenas da Prefeitura de Aracaju. O procurador deixou claro que a Assembleia Legislativa deverá conduzir o Estudo de Viabilidade Municipal, divulgar seus resultados e aprovar o decreto convocatório antes de qualquer atuação da Justiça Eleitoral. Ao mesmo tempo, contestou com firmeza a tentativa de transformar o estudo em uma obra interminável, dessas que a burocracia promete concluir quando a geração atual já estiver aposentada. Aracaju administra a região há décadas, conhece suas escolas, suas unidades de saúde, sua infraestrutura, sua população e os serviços oferecidos diariamente. Portanto, sustentar que nenhum dado existe e que tudo precisará começar do zero é fechar os olhos para a realidade administrativa que está diante de todos.
Nas entrevistas concedidas ao Jornal da Fan e a outros programas de rádio, o procurador mostrou serenidade, domínio técnico e responsabilidade institucional. Não vendeu a ideia de que o plebiscito já está marcado, mas demonstrou que existe um caminho jurídico para realizá-lo. Essa postura merece reconhecimento porque, em um ambiente político acostumado a trocar argumentos por slogans, Hunaldo apresentou prazos, competências e fundamentos legais. Explicou que a concordância com a delimitação cartográfica não significou uma entrega política da Zona de Expansão, mas uma etapa necessária para identificar exatamente qual território será submetido à consulta. Sem mapa, não existe estudo. Sem estudo, não existe decreto. Sem decreto, não existe plebiscito. Hunaldo organizou o debate e retirou a discussão do terreno da gritaria para colocá-la no lugar correto: a Constituição, a lei e a vontade popular.
O que está em jogo não é apenas uma linha desenhada entre Aracaju e São Cristóvão. É a vida de milhares de moradores que estudam, trabalham, utilizam serviços públicos e construíram uma identidade ligada à capital. Ao defender a consulta popular, Hunaldo não está desrespeitando decisões judiciais nem tentando apagar a história de São Cristóvão. Está utilizando o instrumento que a própria Constituição exige para uma nova definição territorial. Sua atuação foi técnica, corajosa e politicamente inteligente, porque revelou que o verdadeiro obstáculo talvez não seja o prazo, mas a vontade de fazer. O procurador abriu a porta jurídica. Agora, cabe à Assembleia Legislativa decidir se permitirá que o povo atravesse ou se continuará procurando desculpas para manter a população do lado de fora.





Respostas de 3
Isso é perfeito.
Parabéns ao procurador Hunaldo.
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Isso é perfeito.
Parabéns ao procurador Hunaldo.