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Final de Semana: Entre a fotografia do poder e o calor das ruas

Fábio Mitidieri passou o fim de semana fazendo aquilo que seu grupo político parece dominar com perfeição: ocupando palanques, reunindo dirigentes e produzindo fotografias de uma aliança tão numerosa quanto difícil de explicar. Na convenção do PSB, apareceu cercado por candidatos, aliados e pretendentes ao Senado. No domingo, viajou a São Paulo para prestigiar a candidatura de Lula, ao lado de Rogério Carvalho, seu adversário na eleição passada. Fábio mostrou força institucional, mas deixou uma pergunta no ar: tanta gente reunida representa unidade verdadeira ou apenas um condomínio eleitoral construído para administrar cargos, espaços e conveniências?

A imagem do governador com Rogério Carvalho simbolizou bem a elasticidade política do seu projeto. Os dois que disputaram duramente o Governo de Sergipe em 2022 agora dividem o mesmo enquadramento, enquanto André Moura, Alessandro Vieira, Edvaldo Nogueira e outras lideranças tentam encontrar lugar numa composição onde há mais candidatos ao Senado do que votos disponíveis na urna. Fábio conseguiu ampliar o palanque, mas ainda não explicou como pretende conciliar tantos interesses contraditórios. Quando todo mundo é prioridade, ninguém sabe exatamente quem será escolhido na hora decisiva.

Nem mesmo o apoio formal do PT resolveu o problema. Enquanto Fábio e Rogério sorriam juntos na convenção nacional de Lula, uma parte da militância petista sergipana anunciava que não participaria da convenção governista. As críticas atingiram a concessão da Deso, a relação com os professores, a gestão da saúde e a presença de setores conservadores na aliança. A fotografia produzida em São Paulo tentou vender harmonia, mas a insatisfação permaneceu em Sergipe. O acordo foi assinado pelas cúpulas, porém ainda não foi aceito por todos aqueles que carregam as bandeiras nas ruas.

Do outro lado, sem avião, palco nacional ou desfile de presidentes partidários, havia um candidato caminhando na feira de São Domingos e participando da peregrinação de Santa Dulce dos Pobres, em Itabaiana. Não precisou organizar uma plateia nem distribuir lugares no palanque. Conversou com feirantes, abraçou trabalhadores e percorreu quilômetros ao lado dos peregrinos. Enquanto um projeto depende da quantidade de siglas reunidas numa fotografia, o outro parece buscar legitimidade no contato direto, na memória popular e na capacidade de caminhar sem a proteção do cerimonial.

O fim de semana revelou duas formas distintas de disputar Sergipe. Fábio apresentou a política dos salões, dos acordos e das fotografias cuidadosamente organizadas. Nas ruas, porém, existe uma linguagem que não cabe nos discursos preparados pelas assessorias. É a linguagem do aperto de mão, do abraço espontâneo e do reconhecimento imediato. Palanques podem ser montados em poucas horas e alianças podem ser assinadas em gabinetes, mas confiança popular não se fabrica com iluminação de convenção. Ela nasce devagar, no meio da feira, no caminho da peregrinação e principalmente onde o povo não precisa receber convite para estar presente.

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