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O MP perde um procurador; Sergipe se despede de um guardião de sua memória jurídica

O Ministério Público de Sergipe amanheceu de luto. A morte do Procurador de Justiça aposentado Darcilo Melo Costa, aos 93 anos, encerra uma trajetória que não cabe apenas numa nota oficial de pesar. Há nomes que passam por uma instituição. Outros permanecem nela, mesmo depois de deixarem os corredores, os gabinetes e as sessões. Darcilo pertence a essa segunda categoria.

Ele ingressou no Ministério Público em 1962, quando a instituição ainda era muito diferente daquela que conhecemos hoje. Chegou ao cargo de Procurador de Justiça em 1988 e ocupou funções de enorme responsabilidade, passando pela chefia institucional em caráter de substituição, pela Coordenação-Geral e pela Corregedoria-Geral do MPSE. Foram décadas acompanhando, por dentro, a transformação de um Ministério Público que ganhou autonomia, novas atribuições e um papel cada vez mais decisivo na defesa da sociedade.

Mas reduzir Darcilo ao currículo seria cometer uma injustiça com sua própria história. Ele foi também professor, escritor, estudioso do Direito, memorialista e pianista clássico. Talvez esteja justamente aí a dimensão mais humana de sua trajetória. Por trás da toga existia alguém que entendia que Justiça também exige sensibilidade, cultura e memória. O mesmo homem que conhecia o rigor das leis encontrava espaço para a música, para os livros e para a reflexão.

Sua passagem pelo Ministério Público ajuda a contar uma parte importante da própria história institucional de Sergipe. Darcilo viveu diferentes épocas, diferentes modelos de atuação e diferentes gerações de promotores e procuradores. Não foi apenas testemunha dessa evolução. Participou dela. Ajudou a preservar valores, formar referências e deixar uma memória que hoje pertence não apenas à família, mas também à instituição que serviu por tantos anos.

O velório será hoje no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju e o sepultamento está marcado para as 16h. O Ministério Público manifestou solidariedade aos familiares e amigos. Hoje, portanto, o luto é maior do que uma despedida funcional. O MPSE perde um antigo integrante de sua história e Sergipe perde um homem que dedicou grande parte da vida ao Direito, ao serviço público e à cultura. Ficam os registros, as lembranças e a marca de quem ajudou a construir uma instituição antes mesmo de ela alcançar a dimensão que possui hoje.

Há carreiras que terminam com a aposentadoria. Outras continuam sendo lembradas muito tempo depois. A de Darcilo Melo Costa é uma dessas. O Ministério Público de Sergipe está de luto, mas também está diante de sua própria memória. E memória, quando é construída com serviço, conhecimento e dignidade, não se sepulta.

Uma resposta

  1. Certamente que a morte do Dr. Darcilo, deixa um vazio no mundo jurídico, na literatura e na música. Para mim fica a lembrança das aulas ministradas como professor do curso de Direito da UNIT, e depois como apreciador da música clássica, onde em muitas oportunidades nos encontramos no Teatro Tobias Barreto para assistir a apresentação de boa música.

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