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Uma conta da Rede desconectou Linda, Leony, Iran e outros das urnas

Linda Brasil não está tão linda nesta fotografia eleitoral. Por maioria, o TRE-SE indeferiu os DRAPs da Federação PSOL/Rede e declarou o grupo sem habilitação para registrar candidaturas em Sergipe. A decisão alcança Linda Brasil e Sônia Meire para a Assembleia, Iran Barbosa para o Senado, Dr. Helton Monteiro e Maria Izaltina para o Governo, o delegado Mário Leony para a Câmara Federal e todos os demais nomes apresentados pela federação. Prepararam bandeiras, discursos, vídeos, santinhos e palavras de ordem, mas uma conta de 2018 apareceu na festa sem convite, sentou à mesa principal e mandou encerrar a música.

O problema não nasceu de uma condenação pessoal de Linda, Iran, Helton ou Leony. Veio da Rede Sustentabilidade, que teve o diretório estadual suspenso por contas julgadas não prestadas. A defesa mostrou pagamentos, parcelamentos e documentos, sustentando que o PSOL, estando regular, poderia conduzir a federação em Sergipe. O Tribunal respondeu que pagar não significa regularizar automaticamente e que seria necessária uma decisão judicial retirando formalmente a suspensão. PSOL e Rede escolheram o casamento eleitoral, mas parecem não ter lido aquela parte do contrato que dizia “na alegria, na tristeza e também na prestação de contas”.

Para Linda Brasil, o prejuízo político é muito maior que uma fotografia sem brilho. Se o TSE mantiver a decisão, Sergipe poderá perder uma representante autêntica e diretamente identificada com a diversidade e com a população LGBTQIAPN+ na Assembleia Legislativa. Sua ausência também abrirá mais espaço para novas lideranças disputarem esse eleitorado e ocuparem uma pauta que Linda ajudou a tornar visível. O delegado Mário Leony, também ligado à defesa da diversidade, pode ficar fora da disputa pela Câmara Federal. Foi Rodrigo Valadares quem o chamou de “maconheiro”, episódio que ainda rende conversa e agora até trilha sonora. Enquanto aguarda o recurso, Leony poderia adaptar La Bamba e cantar: “Eu não sou marinheiro, sou delegado. Sou delegado, sou delegado”. Em Sergipe, a política já vem com debate, confusão e refrão.

O capítulo, porém, ainda não terminou. A Federação PSOL/Rede pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, e seus candidatos poderão seguir na batalha jurídica enquanto aguardam a palavra de Brasília. Até lá, Linda perdeu momentaneamente o brilho eleitoral, o professor Iran ficou sem chamada, Helton teve a consulta suspensa e Mário Leony ensaia La Bamba sem saber se haverá palco. A esquerda, que costuma apresentar projetos completos para reorganizar a sociedade, descobriu da maneira mais cruel que antes de salvar o mundo era recomendável organizar a contabilidade do diretório. No fim, ninguém foi derrubado por falta de discurso. Faltou mesmo foi aquilo que político costuma cobrar dos outros com enorme entusiasmo: prestação de contas.

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