Gusttavo Lima cantou, recebeu o cachê e seguiu para o próximo palco. Já os policiais militares que garantiram a segurança do São João sergipano continuam esperando pelas IFVs referentes às folgas sacrificadas. Para o Embaixador, contrato, camarim, iluminação, som e dinheiro na conta. Para a tropa, silêncio administrativo e o velho sucesso do Governo: “estamos providenciando”. Gusttavo ficou com o cachê; a PM ficou só olhando o extrato.
A IFV é a Indenização por Flexibilização Voluntária do repouso remunerado. Traduzindo do burocratês: o militar vende legalmente sua folga ao Estado. Deixa filhos, esposa, marido, descanso e compromissos pessoais para voltar às ruas. Georgeo Passos resumiu: “Policiais trabalharam nas folgas, fizeram horas extras e até agora nada de pagamento. Isso é inadmissível”. Não é prêmio, mimo ou favor de Fábio Mitidieri. É dinheiro devido por serviço já prestado.
Enquanto o governador comemorava o sucesso dos festejos, eram os policiais que enfrentavam brigas, faziam abordagens, prendiam suspeitos, organizavam o trânsito e protegiam milhares de pessoas durante noites inteiras. O Estado recebeu o serviço completo, sem atraso e sem desafinação. Mas, na hora de pagar, resolveu cantar aquela moda sofrida: “espere mais um pouquinho”. O sertanejo acabou de madrugada; o sofrimento da tropa continua até hoje.
O coronel Ildomário Gomes, coronel Mano, apontou onde o dinheiro teria estacionado: “Ainda não houve autorização do CRAFI e da Sefaz para o pagamento das IFVs dos policiais militares de Sergipe relativas aos festejos juninos deste ano”. A escala foi cumprida, a operação terminou e o palco já foi desmontado. Falta o Governo fazer a parte menos fotogênica da festa: abrir o caixa. Será preciso contratar Gusttavo Lima novamente para cantar “Pague a Minha IFV” até alguém autorizar?
A Polícia Militar não pede aplauso, selfie nem pulseira de camarote. Cobra respeito, e respeito começa com dinheiro na conta. Fábio Mitidieri precisa informar quantos militares ainda aguardam, qual é o valor da dívida e quando ocorrerá o pagamento. Gusttavo Lima ficou com o cachê; a PM ficou sem o seu. O Embaixador cumpriu o show, a tropa cumpriu a missão e, até agora, quem desafinou feio foi o Governo.




