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R$ 32 milhões prometidos. Cadê a água?

O Ministério Público de Sergipe levou as falhas no abastecimento de Aracaju à Justiça em maio de 2026. Nas ações contra a Iguá, descreveu relatos de fornecimento intermitente, por vezes restrito à madrugada e com pressão insuficiente para encher os reservatórios das casas. No dia 20 daquele mês, anunciou um termo de acordo extrajudicial para enfrentar problemas em Aracaju, na região metropolitana e no interior. É uma providência concreta, mas ainda não é água entregue. Para a família que precisa guardar baldes antes de dormir, a diferença entre uma ação ajuizada, um acordo firmado e uma torneira funcionando é bastante fácil de perceber. 

O compromisso anunciado divide os R$ 32 milhões em duas frentes: R$ 12 milhões para reforçar a segurança operacional da rede de Aracaju e R$ 20 milhões para melhorias em 58 reservatórios e estruturas de armazenamento no interior. O MPSE citou novos reservatórios em Areia Branca e Mosqueiro, intervenções em adutoras e elevatórias, além de melhorias em localidades de Itabaiana, Lagarto, Nossa Senhora do Socorro e Estância. A Iguá também assumiu o prazo de até 60 dias para instalar 40 sensores em adutoras de Aracaju e videomonitoramento em 20 pontos estratégicos. Passado esse prazo, a pergunta já não é o que consta da apresentação: quantos sensores operam, quais reservatórios foram entregues, quanto foi efetivamente investido e onde a pressão da água melhorou? Sem medição pública, R$ 32 milhões podem render uma bela manchete e uma péssima manhã diante da pia seca. 

É preciso dar nome a quem assumiu a tarefa. Segundo o MP/SE, participaram da solenidade o procurador-geral de Justiça Nilzir Soares Vieira Junior, o coordenador-geral do órgão Carlos Augusto Alcantara Machado e a promotora de Defesa do Consumidor de Aracaju Euza Missano. Também estiveram presentes o procurador-geral do Estado Carlos Pinna de Assis Júnior, o presidente da Agrese Luiz Hamilton Santana de Oliveira e o diretor institucional da Iguá João Roberto Rocha Moraes. A Sedurbi integra o acordo; seu secretário à época era Luiz Roberto Dantas, mas a notícia do MPSE não o identifica nominalmente entre os presentes. A distinção importa: estar na cerimônia não comprova, por si só, quem assinou cada página. À Agrese cabe receber relatórios mensais das obras, fiscalizar prazos e comunicar irregularidades ao Ministério Público. Esses relatórios precisam chegar também ao conhecimento do sergipano. 

O governo Fábio Mitidieri deve responder pelo funcionamento da engrenagem que adotou: a Deso permaneceu responsável pela captação e pelo tratamento da água; a Iguá assumiu a distribuição; a Agrese fiscaliza. Se houver nova interrupção, cada uma precisa explicar sua parte com dados de produção, pressão, duração da falha, consumidores afetados e providências tomadas. Em junho, o MPSE anunciou ainda um aditivo para tratar de faturamento e ressarcimento após o desabastecimento de abril, que atingiu 21 localidades. A cobrança editorial é direta: publiquem o acordo integral, os relatórios mensais, a execução física e financeira dos R$ 32 milhões e o número de consumidores compensados. A assessoria pode fotografar quantas assinaturas quiser. Quem dá o veredito sobre o serviço é a torneira. 

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