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A Câmara corre para escolher a Mesa antes que as urnas mudem o jogo

A Câmara de Aracaju escolhe sua Mesa na quinta-feira, 1º de outubro, três dias antes da eleição estadual. A chapa anunciada traz Isac Silveira na presidência, Palhaço Soneca na vice, Rodrigo Fontes na primeira secretaria, Selma França na segunda e Sávio Neto de Vardo na terceira. O calendário vale tanto quanto os nomes: depois de domingo, o resultado poderia mudar alianças e produzir outra composição. É como fechar a conta antes que o restaurante troque de dono. Sem concorrência, Isac terá caminho livre. Falta saber quem continuará confortável quando as urnas reorganizarem a sala.

Soneca tem experiência parlamentar, mas administrar 26 vereadores exige mais que simpatia: há gente que discorda até da temperatura do ar-condicionado. Rodrigo Fontes, no primeiro mandato, já chega à primeira secretaria. Mal decorou os corredores e ganhou uma chave. Selma França também estreia como eleita, com atuação na assistência social. Sávio, mais discreto, pode acabar encarregado de apagar os incêndios. Afinal, Mesa Diretora não é grupo de WhatsApp: foto oficial e figurinha de bom dia não organizam sessão.

A Câmara tem outros nomes capazes de dar conteúdo à disputa. Elber Batalha reúne formação jurídica, experiência e atuação fiscalizadora na CPI das Concessões. Fábio Meireles cobra a Prefeitura e leva demandas dos bairros ao plenário. Anderson de Tuca conhece a Casa e provavelmente sabe até qual porta emperra. Lúcio Flávio participa dos debates e da articulação governista. Há material para uma alternativa. O que falta, se ninguém apresentar outra chapa, é transformar discurso em voto. Oposição que só reclama no cafezinho termina assistindo à posse com a xícara na mão.

Já Vinícius Porto conseguiu uma façanha: lidera Emília Corrêa na Câmara e apoia adversários dela na eleição estadual. É o prato político com peixe, frango e carne; conforme o palanque, troca o acompanhamento. Liberdade de escolha existe, mas liderança também exige clareza. Vinícius virou a tomada universal da política aracajuana: conecta em qualquer grupo e mantém o gabinete iluminado. Raul Seixas cantou a “Metamorfose Ambulante”. Vinícius parece ter acrescentado uma condição: mudar de posição sem perder a liderança nem o lugar na fotografia.

A responsabilidade maior, porém, será de Isac. Ricardo Vasconcelos deixa uma gestão que merece elogio pelo diálogo, pelas audiências públicas e pela convivência entre situação e oposição. Soube ouvir comunidades e servidores e conduzir diferenças sem transformar cada sessão numa reunião de condomínio em guerra. Esse legado explica a saudade antecipada e estabelece uma régua alta para o sucessor. Isac é experiente e tem trânsito político, mas precisará mostrar que consegue preservar a independência da Casa mesmo cercado de aliados.

Ganhar a cadeira será apenas o começo. Isac terá de manter o Parlamento funcionando, respeitar adversários e impedir que a presidência vire puxadinho de grupo político. A chapa pode vencer na quinta; a gestão precisará mostrar serviço durante dois anos. Quando o plenário pegar fogo, simpatia, fotografia e metamorfose não resolverão. Alguém terá de encontrar o extintor antes que apareça um vereador propondo uma homenagem às chamas.

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