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Blind Date Notícias

A conta da água de cada dia dos sergipanos

Em Sergipe, a água some da torneira, mas nunca dos comunicados oficiais. Em 16 de outubro, um vazamento na Adutora do São Francisco reduziu em cerca de 30% a produção durante os reparos. Poucos dias depois, nova manutenção emergencial atingiu o bombeamento da ETA João Ednaldo, em Nossa Senhora do Socorro, com operação retomada gradualmente em 20 de outubro. As equipes que enfrentam as ocorrências merecem respeito. Já o governo e a presidência da Deso devem explicações: quantas emergências ainda serão necessárias para que prevenção deixe de ser palavra de apresentação institucional?

Dinheiro contratado não falta nas planilhas. A Deso registrou R$ 17 milhões para produtos químicos, R$ 6,03 milhões para ácido fluossilícico e equipamentos e R$ 2,695 milhões para cal hidratada. Para recuperação de motores e rotores, aparecem contratos de R$ 1,586 milhão e R$ 239,8 mil. O que nos impressiona é que todos possuem registros de aditivos. Isso não prova ilegalidade, mas exige transparência completa: quais itens foram entregues, por quais preços, com quais medições e qual ganho concreto na operação? Sem essas respostas, a informação pública parece um labirinto com muitas portas e pouca água e mais fiscalização do MPE e do TCE.

A lista não termina aí. Há um contrato de R$ 11,38 milhões para serviços de mão de obra e outro de R$ 4,78 milhões para obras complementares da ETA Sertaneja, também com aditivos registrados. Esses montantes são valores contratuais, não pagamentos comprovados; tampouco se demonstrou que os aditivos aumentaram todos os custos. É precisamente essa lacuna que o governo precisa fechar, publicando faturas, notas fiscais, medições, justificativas de alteração e valores efetivamente desembolsados. O cidadão não pode ser obrigado a montar uma auditoria doméstica para descobrir o que a companhia já deveria explicar espontaneamente, já basta abrir a torneira e ver a água.

A concessão do saneamento acrescentou outra camada de responsabilidades. Nos municípios abrangidos, a Deso permanece com captação, tratamento e produção; a Iguá atua na distribuição e no esgotamento, conforme a divisão regulatória. Não se pode culpar automaticamente uma delas por toda falta d’água. Mas também não é aceitável que essa divisão vire um interminável jogo de empurra. Governo, Deso, concessionária e regulação precisam divulgar, conjuntamente, onde a falha começou, quanto durou e quem devia corrigi-la. Na casa do consumidor, organograma nenhum substitui chuveiro funcionando.

A cobrança à gestão estadual é simples e rigorosa: publiquem o histórico de rompimentos, as horas de interrupção, o gasto com prevenção, os pagamentos dos contratos e o resultado de cada serviço. A presidência da Deso deve demonstrar, com dados auditáveis, que aprendeu com os episódios da adutora e de Socorro. Não há, nos registros examinados, prova de fraude ou superfaturamento; há, sim, razões objetivas para fiscalizar. A água é serviço essencial, não peça de marketing. Quando o governo anuncia mais um conserto, a população tem o direito de perguntar por que o próximo ainda não foi evitado.

Dança das cadeiras. O Judiciário sergipano abriu caminho para a remoção interna de técnicos. Não é aquela dança das cadeiras que empolga os corredores da política, mas mexe com a rotina de quem atende a população. Se cada servidor chegar aonde faz mais falta, quem ganha é o cidadão na ponta.

Emília escolhe palanque. A prefeita Emília Corrêa marcou presença no ato de apoio a Flávio Bolsonaro em Aracaju. O gesto reafirmou seu posicionamento político na disputa presidencial. Apoiar candidato é parte da democracia; a cobrança do aracajuano, porém, continua na mesma direção: a cidade precisa funcionar na segunda-feira.

Folga na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral terá ponto facultativo no dia 26 de outubro, alcançando secretaria e cartórios. Quem deixou pendência para resolver pessoalmente precisa se organizar. Em Sergipe, a burocracia já exige paciência; dar de cara com a porta fechada é teste que ninguém merece.

Urna e prova de vida. O voto no segundo turno também pode ser aproveitado nos mecanismos de comprovação de vida do INSS, conforme a orientação divulgada. É uma dessas raras notícias em que a obrigação cívica pode ajudar a simplificar a vida. O eleitor vota, participa e ainda poupa uma peregrinação.

Viaduto sob julgamento. A entrega da segunda alça do Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves foi anunciada para quinta-feira. A obra promete aliviar deslocamentos entre vias movimentadas de Aracaju. O governo pode preparar a cerimônia; quem dará a sentença será o motorista, no trânsito de cada dia.

Elber no embalo. O vereador Elber Batalha apareceu na mobilização eleitoral do Jabotiana, entre apoiadores da candidatura de Lula. Mandato municipal também entra no jogo nacional, especialmente quando a campanha busca presença nos bairros. Na capital, conversa de esquina ainda vale mais que muito algoritmo.

GPS, por favor. A SMTT explicou como funcionará o novo acesso da Tancredo Neves à Beira-Mar. Parece detalhe, mas informação clara evita buzina, conversão errada e susto no volante. Aracaju adora uma novidade viária; só não precisa transformar cada inauguração num episódio de caça ao tesouro.

Delegado de estimação. O governo municipal de Aracaju pretende bater novamente à porta do governador Fábio Mitidieri para pedir a cessão do delegado André Davi. A insistência já começa a transformar uma questão administrativa em novela política. Nada contra o delegado, mas convém lembrar um pequeno detalhe: André Davi prestou concurso para ser delegado de polícia, não assessor de prefeitura. E, enquanto a segurança pública precisa de profissionais nas delegacias, a sociedade agradece.

Emprego, notícia boa. A plataforma GO Sergipe divulgou 521 oportunidades de trabalho. No meio de tanta disputa por espaço político, eis uma pauta que chega diretamente à mesa das famílias. A vaga pode não render palanque, mas uma contratação efetiva rende algo muito melhor: dignidade e renda.

João Fontes e a multidão que sacudiu Aracaju. O ex-deputado federal João Fontes, conhecedor da história política sergipana, surpreendeu ao afirmar que a manifestação liderada por Nikolas Ferreira, na última terça-feira, reuniu mais gente que o histórico movimento das Diretas Já. A comparação traduz a dimensão política que ele atribuiu ao ato. João Fontes merece reconhecimento pela leitura histórica de uma mobilização que agitou Aracaju. Para ele, foi uma das maiores manifestações políticas dos últimos 20 anos. E, em Sergipe, quando a multidão toma as ruas, até os adversários precisam prestar atenção!

Apreensão no Santos Dumont. A Radiopatrulha apreendeu cerca de 2,7 quilos de maconha no bairro Santos Dumont, em Aracaju. A ocorrência chama atenção, mas segurança pública não pode se resumir ao flagrante do dia. O morador quer investigação consistente, prevenção e o direito de voltar para casa em paz.

Voto sem confusão. Quem faltou ao primeiro turno não perde automaticamente o direito de votar no segundo. As obrigações eleitorais são analisadas separadamente, e a justificativa segue suas regras. É bom espalhar a informação correta: em período eleitoral, boato corre mais que candidato atrás de voto.

Estágio na mira. O calendário do processo seletivo de estágio do Ministério Público Federal previa divulgação de resultados nesta fase. Para estudantes, é daquelas datas capazes de provocar a consulta repetida à página oficial. Expectativa faz parte; corrente de WhatsApp, porém, não substitui resultado de seleção.

Simão Dias virou a página. A vereadora Irailde Oliveira assumiu interinamente a Prefeitura de Simão Dias após a cassação dos diplomas de Cristiano Viana e do vice José Renaldo pela Justiça Eleitoral. Cristiano anunciou recurso ao TSE e contesta o desfecho. A cidade acompanha uma troca de comando que parece roteiro de série política. Mas, para quem precisa de posto de saúde e rua limpa, a pergunta é menos cinematográfica: quem resolve amanhã?

Agenda ajustada. O TRE-SE alterou datas de sessões originalmente previstas para o fim de outubro. Advogados, partes e interessados precisam acompanhar as pautas atualizadas. Na vida forense, perder a hora já é ruim; perder o dia porque confiou na agenda antiga é um enredo que ninguém quer protagonizar.

Restituição anima. A notícia de antecipação de restituições trouxe expectativa para contribuintes contemplados. Dinheiro de volta no orçamento doméstico sempre encontra destino antes mesmo de cair na conta. Mas atenção: cada situação depende da consulta oficial. Esperança é boa; confundir manchete com depósito, nem tanto.

Portal sob cobrança. Uma consulta ao portal estadual de licitações encontrou falha de conexão na visualização dos dados. Isso não demonstra ausência de licitações, mas revela dificuldade de acesso naquele momento. Transparência não pode ser apenas uma bela palavra no discurso: precisa abrir justamente quando o cidadão clica.

Areia Branca virou novela. Em Areia Branca, a disputa pela presidência da Câmara está mais movimentada que final de campeonato. Uma liminar garantiu a participação da chapa de Júnior Gago, mas o presidente Perna suspendeu a eleição e abriu prazo para defesa sobre as impugnações. O eleitor só queria conhecer a nova Mesa Diretora; ganhou capítulos, recursos e um suspense daqueles. Se depender da política local, o intervalo é que não chega.

Umbaúba renovou a confiança. Em Umbaúba, José Abel Lima foi reeleito presidente da Câmara com nove votos e comandará a Casa no biênio 2027-2028. A escolha reuniu agradecimentos e discursos sobre confiança. Política de interior tem disso: quando a votação acaba, começa o teste que interessa ao povo. Que os nove votos se transformem em trabalho, porque aplauso de plenário não tapa buraco nem resolve fila.

Riachuelo escolheu Pedro. Pedro Aurélio dos Santos venceu por seis votos a dois a eleição para a futura presidência da Câmara de Riachuelo. Emocionado, falou da própria trajetória e da importância de não esquecer de onde veio. É bonito ver político lembrar das origens. Mais bonito ainda é lembrar delas depois de assumir a cadeira, quando o telefone toca e o eleitor pede uma solução.

Itabaiana afia as chapas. A Câmara de Itabaiana marcou para sexta-feira a escolha da Mesa Diretora do próximo biênio. As chapas terão de ser apresentadas pouco antes da sessão, e o presidente Breno Gois formalizou a convocação. Em terra onde política é acompanhada como futebol, a eleição interna já rende conversa. Só não vale tratar cadeira de vereador como troféu de coleção: a partida principal é a prestação de serviço.

O vaivém das cadeiras. Três vereadores de Itabaiana, Vaguinho de Vado, Waguinho de Leitoa e Joãozinho do Lagamar, retornaram ao Legislativo após passagem por secretarias municipais. Com isso, os suplentes Paulinha da Saúde, Erotildes e João Cândido deixaram os mandatos. É a famosa dança das cadeiras da política, sem música e com muito cálculo. Quem entra e quem sai muda; a cobrança dos moradores continua sentada na primeira fila.

Boquim faz história. Imara Franca foi reeleita presidente da Câmara de Boquim por unanimidade entre os parlamentares presentes. Primeira mulher a chegar ao comando da Casa, ela também se tornou a primeira a conquistar a reeleição. É uma notícia que merece aplauso, sobretudo pela representação feminina. A torcida agora é para que o feito histórico também seja acompanhado de debates fortes e resultados que cheguem à população.

Lourdes e os cem mil reais. Uma gravação divulgada na imprensa levantou suspeita de oferta de R$ 100 mil e vantagens políticas a vereador em Nossa Senhora de Lourdes, com voz atribuída ao prefeito Saulo Galeguinho. A acusação é grave e depende de apuração e contraditório; não pode ser tratada como fato provado. O sertanejo conhece o valor do dinheiro e da reputação. No fim, a cidade merece respostas claras, e não um campeonato de áudios e versões.

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