PUBLICIDADE

Campo Lindo: a usina faliu, os trabalhadores cobram e quem vai pagar a conta?

A Agro Industrial Campo Lindo, instalada em Nossa Senhora das Dores, iniciou suas operações em 2008, sob a liderança de Carlos Alberto Vasconcelos, falecido em 2012. O empreendimento, anunciado como símbolo de desenvolvimento, mergulhou numa crise financeira que resultou em recuperação judicial e decretação de falência. Integrantes da família Vasconcelos participaram da administração. Mas quais decisões comprometeram a empresa? Houve falhas de gestão ou dificuldades econômicas inevitáveis? A resposta está nos balanços, contratos e atos administrativos que precisam ser examinados.

Os problemas começaram antes da falência. Em 2016 e 2017, trabalhadores protestaram contra salários e verbas atrasadas. Em junho de 2022, a Justiça decretou a falência após o descumprimento do plano de recuperação judicial. A decisão não significa, automaticamente, responsabilidade pessoal dos administradores. Entretanto, exige esclarecimentos. Quem administrava a empresa quando as obrigações deixaram de ser cumpridas? Quais medidas foram adotadas para preservar empregos e patrimônio? E por que a recuperação não conseguiu evitar o colapso?

A situação dos trabalhadores é ainda mais preocupante. Processos judiciais, inclusive de 2026, registram cobranças de verbas trabalhistas e FGTS. Os créditos trabalhistas possuem proteção legal, respeitados os limites e a classificação previstos na legislação falimentar. Eventuais débitos tributários também precisam ser apurados. Mas quanto a Campo Lindo deve? Quantos empregados continuam sem receber? Qual patrimônio está disponível para quitar essas obrigações? A empresa pode enfrentar dificuldades financeiras. O trabalhador não pode ficar indefinidamente esperando uma resposta.

O deputado Cristiano Cavalcante também teve seu nome associado publicamente às negociações envolvendo a usina. Ele negou participação societária ou administrativa, afirmando que apenas apresentou um investidor. A declaração deve ser confrontada com contratos e registros oficiais, sem antecipar conclusões. Também é necessário esclarecer o papel da Cooperativa Agropecuária de Ilha das Flores e identificar quem assumiu a operação em cada período. Quem comandou a Campo Lindo, quem assumiu suas obrigações e quem responderá legalmente pelas dívidas? A falência foi decretada em 2022, mas sua situação processual atual ainda exige confirmação. Uma coisa é certa: a usina pode parar de funcionar, mas os direitos dos trabalhadores e o dever de prestar contas não desaparecem com o fechamento dos portões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *