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Cemitério ecológico: Emília escolhe o diálogo e deixa o palanque para quem prefere a confusão

Aracaju conseguiu transformar até a última despedida em disputa política. Enquanto famílias enfrentam a angústia de encontrar uma vaga para sepultar seus mortos, alguns já chegaram ao debate com o discurso pronto, a indignação ensaiada e o microfone carregado. Faltou apenas lembrar do principal: a cidade precisa de um novo cemitério. A proposta de um equipamento vertical ecológico não nasceu de um capricho da prefeita Emília Corrêa, mas de uma necessidade antiga, discutida judicialmente desde uma ação do Ministério Público em 2006. A morte não escolhe partido, bairro ou calendário eleitoral. E família de luto precisa de acolhimento, não de arquibancada.

Emília fez o que se espera de quem governa: enfrentou o assunto, ouviu as críticas e corrigiu a rota. Reconheceu que faltou diálogo inicial com os moradores do Santo Antônio e, em vez de se esconder atrás de pareceres, reuniu a Procuradoria, a Emurb e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Mais importante: já procurou o Ministério Público de Sergipe e solicitou uma audiência pública para ouvir a população. Na política, admitir uma falha costuma ser tratado como escândalo. Talvez porque ainda haja muita gente que prefere morrer abraçada ao próprio erro a reconhecer que a comunidade tem voz.

E não será apresentada uma única saída embrulhada como decisão definitiva. Cinco regiões estão sob análise: Japãozinho, Ponto Novo, Areia Branca, Santo Antônio e Santa Maria. Os estudos e as propostas deverão ser expostos e debatidos com os moradores. Isso é governar com portas abertas, não empurrar um projeto goela abaixo. Quem mora perto de uma possível área tem o direito de perguntar sobre trânsito, drenagem, lençol freático, controle de resíduos, impactos sanitários e custos. E a Prefeitura tem o dever de responder com laudos, não com frases bonitas. O cemitério pode ser ecológico; o debate também precisa deixar de produzir tanta fumaça.

Há uma ironia que não cabe esconder debaixo da terra: o problema atravessou administrações, resistiu a promessas e agora virou urgência de quem descobriu vocação para fiscalizar apenas quando surgiu uma proposta concreta. Fiscalização séria é indispensável. Terror ambiental sem estudo é só teatro com figurino de preocupação pública. Ninguém precisa concordar previamente com a localização, muito menos aceitar risco sem comprovação. Mas transformar a dor das famílias em munição política não abre uma sepultura sequer. Cabe também aos auxiliares da prefeita assumir seu papel: técnicos devem explicar os estudos, gestores devem esclarecer os custos e a comunicação deve aparecer antes da crise, não depois do velório.

O caminho para resolver essa questão está aberto. A iniciativa junto ao Ministério Público, a apresentação de alternativas e a escuta das comunidades permitem construir uma solução responsável, desde que acompanhadas de transparência e licenciamento rigoroso. Emília demonstrou disposição para buscar esse entendimento sem abandonar a obrigação de ampliar as vagas. Aracaju pode, sim, sair desse impasse com uma decisão melhor, tecnicamente sustentada e socialmente respeitosa. Que venham as propostas, as perguntas e as respostas. O que não pode continuar vivo é a velha política de transformar qualquer problema em palanque. Porque nossos mortos merecem descanso, nossas famílias merecem dignidade e os vivos, por favor, merecem um pouco de juízo.

Blind Data Notícias

Lúcio Flávio defende obra. O vereador Lúcio Flávio sustentou que a falta de vagas nos cemitérios é um problema antigo e que a Prefeitura tomou iniciativa para cumprir uma obrigação judicial. A defesa da necessidade da obra não encerra a discussão sobre o endereço escolhido. Aracaju pode precisar de um cemitério e, ao mesmo tempo, exigir estudos sérios. A cidade não precisa escolher entre urgência e planejamento.

Pastor Diego entra no debate. Pastor Diego saiu em defesa da iniciativa da prefeita e lembrou reclamações de famílias sobre as condições do São João Batista. O argumento coloca a dor de quem precisa sepultar parentes no centro da pauta. Mas o sofrimento das famílias não elimina o dever de avaliar impactos ambientais e urbanísticos. A discussão só amadurece 

Câmara vota nove matérias. A Câmara de Aracaju apreciou nove proposituras na sessão de ontem, entre projetos de lei, requerimentos, moção e homenagem. Enquanto o cemitério dominava o noticiário, o Legislativo manteve sua pauta ordinária. O desafio é simples: dar consequência prática ao que aprova e fiscalizar a execução. Projeto votado rende manchete; resultado entregue à população é que rende confiança.

X1 entra na escola. Proposta de Binho aprovada na Câmara inclui a modalidade esportiva X1, futebol um contra um, em programas de contraturno e projetos educacionais. A ideia dialoga com práticas populares entre jovens. Falta acompanhar estrutura, professores e orçamento para que a novidade não fique só na súmula. Sem quadra, material e orientação, até o melhor drible termina na burocracia.

Avenida ganha novo nome. Miltinho Dantas conseguiu avanço de proposta para denominar Avenida Radialista Augusto Júnior a atual Avenida Central, no Portal Industrial, bairro Olaria. A homenagem preserva memória local e passa pela tramitação legislativa. Convém, porém, acompanhar os efeitos práticos para endereços, cadastros e moradores. Nome em placa é homenagem; comunicação adequada é serviço público.

TJSE reforça proteção. O Tribunal de Justiça de Sergipe divulgou ferramenta de cooperação com secretarias estaduais destinada a ampliar a proteção às mulheres. A notícia reforça a importância da integração institucional diante da violência doméstica. Tecnologia só funciona quando informação circula com segurança e a vítima recebe resposta rápida. O teste será medir atendimento, agilidade e resultados, não apenas celebrar o convênio.

Contas eleitorais no prazo. Terminou ontem o prazo para candidatos e partidos entregarem à Justiça Eleitoral as prestações de contas do primeiro turno. A obrigação é parte essencial da fiscalização do dinheiro eleitoral. A próxima etapa será identificar omissões e examinar informações apresentadas. Urna fechada não encerra a eleição: depois do 

Yandra destaca voto feminino. A deputada federal Yandra Moura marcou em 3 de novembro a data alusiva ao direito de voto das mulheres e defendeu maior participação feminina na política. A pauta ultrapassa homenagens nas redes: envolve acesso a candidaturas, financiamento, proteção contra violência política e espaço de decisão. O discurso ganha força quando vira compromisso institucional mensurável.

Ribeirópolis faz ciência. Georgeo Passos homenageou professor e alunas do Colégio Estadual Abdias Bezerra, de Ribeirópolis, pelo terceiro lugar na Mostratec. O projeto tratou de tubetes sustentáveis para agricultura. A conquista mostra que ciência escolar pode dialogar com a economia local. Agora cabe perguntar como o poder público apoia laboratórios, viagens e continuidade de pesquisas feitas por estudantes.

Curta-SE no patrimônio. Linda Brasil apresentou projeto para reconhecer o Festival Ibero-Americano de Cinema de Sergipe, Curta-SE, como Bem de Interesse Cultural do estado. O festival completa 25 anos em 2026. O reconhecimento legislativo valoriza a produção audiovisual, mas também abre a discussão sobre financiamento, formação de público e circulação de obras. Cultura não vive apenas de aplauso.

Rio Sergipe pede cuidado. A Assembleia lembrou o Dia do Rio Sergipe, celebrado em 3 de novembro por lei estadual. A data oferece oportunidade para cobrar políticas de saneamento, preservação e recuperação ambiental. Comemorar o rio em solenidade é fácil; impedir que ele receba poluição exige trabalho cotidiano. O patrimônio natural precisa de fiscalização e investimento muito além do calendário.

Operação mira patrimônio. A força integrada de combate ao crime organizado realizou ontem nova etapa da Operação Indumentum, com medidas patrimoniais autorizadas pela Justiça. Houve bloqueio de crédito de R$ 430 mil e restrições sobre imóveis e veículo. As suspeitas envolvem tráfico interestadual e lavagem de dinheiro. Investigação não é condenação, mas seguir o dinheiro pode revelar mais que discursos sobre segurança.

Imóveis sob restrição. Na mesma operação, imóveis em Aracaju, Barra dos Coqueiros e Itaporanga d’Ajuda foram alcançados por medidas de sequestro ou indisponibilidade. Os investigadores apuram possível ocultação patrimonial por terceiros. O próximo passo é demonstrar o vínculo entre os bens e os fatos investigados, sob contraditório. Crime organizado não se enfrenta só na rua: também se investiga no cartório e nas contas.

Justiça e dinheiro suspeito. As medidas da Operação Indumentum foram determinadas pela Justiça Estadual, segundo a Polícia Federal. O caso evidencia o peso das decisões judiciais de bloqueio patrimonial em investigações complexas. A eficácia depende de provas, rastreamento e controle de legalidade. A sociedade precisa acompanhar resultados sem transformar investigados em culpados antes de decisão judicial.

Finados nas estradas. A PRF apresentou balanço da Operação Finados nas rodovias federais de Sergipe: nove sinistros, quatro feridos e duas mortes. As ocorrências fatais foram registradas em Estância e Carira. Os números exigem análise de fiscalização, infraestrutura e comportamento dos condutores. Segurança viária não se resume à estatística do feriado: cada morte representa uma família atingida.

Macambira em emergência. A Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência por estiagem em Macambira, entre municípios contemplados por portarias publicadas em 3 de novembro. O reconhecimento federal pode facilitar medidas de resposta, conforme os procedimentos aplicáveis. O ponto de atenção agora é saber quais ações serão solicitadas, aprovadas e executadas. Água no papel não mata a sede de ninguém.

Incra publica notificações. O Incra atualizou ontem uma série de editais de notificação referentes a assentamentos sergipanos, alcançando municípios de diferentes regiões. Os atos demandam atenção de beneficiários e ocupantes, que precisam consultar o conteúdo específico de cada edital. Regularização fundiária é assunto sério: perder prazo por falta de informação pode gerar problemas que nenhum discurso resolve.

Licitação da PF registrada. O portal nacional de contratações registrou o contrato de limpeza e conservação para unidades da Polícia Federal em Sergipe, no valor global de R$ 383.986,92. A assinatura ocorreu em 29 de outubro. A publicação permite acompanhar vigência, fornecedor e execução. Contrato público deve ser lido do primeiro ao último item: preço sem fiscalização não garante serviço.

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