Se a eleição fosse decidida por quantidade de pré-candidatos, o grupo político do prefeito Samuel Carvalho já estaria eleito. E reeleito. E talvez até com posse marcada e retrato na parede. Mas política não é feira livre: não adianta botar meia dúzia de nomes na banca se nenhum tem direção. Ou pior: se cada um quer ir pra um lado.
A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2026 começou antes da hora, sem aviso prévio e com mais improviso que quadrilha fora de época. E até agora, o tabuleiro tá mais bagunçado que reunião de condomínio com isopor de cerveja no meio.
Já temos: Adilson Júnior, irmão de Fábio Henrique, plantado na Secretaria do Trabalho como quem aguarda a vaga do irmão esquentando no micro-ondas; Rosman Pereira, da Infraestrutura, que trocou o asfalto pela articulação, e anda tapando buraco e abrindo espaço na agenda; Tenente-coronel Toledo, da Secretaria de Governo, que já se apresenta como “deputado” mesmo sem ter passado da convenção — confiança ou devaneio, ainda não sabemos; A primeira-dama, ainda não confirmada como candidata, mas já tratada como plano B, C ou D, dependendo do dia; Carminha Paiva, que entrou oficialmente no bloco como mais uma pré-candidata e, pelo visto, veio pra engrossar o caldo da dispersão, trazendo seu próprio grupo e pretensões; e claro, Pastor Joanan, o único nome que não parece ter sido lançado por impulso, vaidade ou desespero.
Seis nomes. Zero coordenação. Uma base que parece mais o elenco de um reality show: cada um jogando por si, e o público (vulgo eleitor) tentando entender quem ali é protagonista e quem só tá tentando tempo de tela.
Enquanto uns apostam em cargos, sobrenomes ou simpatia partidária de ocasião, Joanan apresenta aquilo que nenhum outro ali tem: consistência. É vereador com quatro mandatos consecutivos, sendo todos com base firme na Assembleia de Deus em Socorro, instituição que mantém uma cadeira na Câmara há sete mandatos ininterruptos. Isso é mais que representatividade: é construção histórica.
Em 2022, Joanan foi votado por quase 12 mil eleitores para deputado estadual. E na eleição municipal, garantiu mais de 1.900 votos para vereador, mesmo com a disputa acirrada. O detalhe? Sem prometer o que não podia cumprir.
Com a eleição de Samuel Carvalho em 2024, amplamente apoiado pela Igreja liderada por seu pai, o pastor Lourival Menezes, abriu-se uma janela inédita para a Assembleia de Deus em todo o estado: a chance de lançar um nome único com densidade eleitoral, mandatos comprovados e legitimidade política. Esse nome, até prova em contrário, é Joanan.
Hoje, não existe outra liderança política evangélica no estado com o mesmo peso, o mesmo histórico e a mesma estrutura. A questão que se impõe agora aos líderes da Igreja não é mais “quem?”, mas “vão entender isso a tempo?” Porque se o grupo não se unir em torno de um nome com raiz, experiência e base, o risco é claro: a cadeira que um dia foi ocupada por Pastor Antônio e por Samuel pode simplesmente sumir do mapa político.
Por incrível que pareça, mesmo com todo esse currículo, o PDT segue tratando Joanan como se fosse só mais um nome na planilha, quando, na verdade, é a única planilha que já tem votos preenchidos. Nenhum convite pra reunião, nenhum sinal de prioridade, e um silêncio que mais parece despreparo do que estratégia. A política tem dessas: às vezes, o nome certo tá na frente, mas o partido prefere brincar de caça-palavras.
O que era desorganizado virou quase tragicômico: agora são cinco pré-candidatos, todos do mesmo grupo político, cada um com uma expectativa diferente e sem nenhum tipo de unificação. Isso não é palanque, é batalha naval. E do jeito que vai, a única coisa que o eleitor vai acertar é o botão “nenhum desses”.
Joanan pode não gritar mais alto, mas é o único que tem voto, base, histórico e motivo legítimo pra estar na disputa. O grupo ainda pode se organizar? Pode. Mas vai ter que escolher entre disputar com fundamento ou continuar apostando no caos até o eleitor cansar e dar o recado nas urnas do tipo que não vem com aviso prévio nem segunda chance.




