Enquanto sacolas estouram nas calçadas e o mau cheiro toma conta das ruas, a prefeitura de Aracaju e o governo do estado trocam acusações como se a sujeira fosse só do outro. A coleta de lixo virou símbolo da paralisia política: em vez de resolver o problema, os gestores preferem lavar as mãos – ou, no caso, apontar o dedo.
Emília joga a culpa: “A Adema emperra tudo”
A prefeita Emília Corrêa (PL), recém-chegada ao cargo com ares de renovação, já mostrou que sabe bater – e forte. Segundo ela, o caos na coleta tem nome e sobrenome: Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema). A bronca? A Adema estaria dificultando a operação da empresa responsável pela limpeza urbana, a Renova Ambiental, ao reter caminhões por “falta de licenciamento”.
“É um verdadeiro dois pesos e duas medidas”, disparou Emília, sugerindo que a rigidez da Adema em Aracaju não se repete em outros municípios sergipanos. E mais: afirmou que os caminhões retidos comprometeram drasticamente a coleta, prejudicando diretamente a população. Como se a capital estivesse sendo sabotada por birra burocrática.
Governo revida: “Prefeitura contratou empresa irregular”
A resposta veio rápida. O governador Fábio Mitidieri (PSD) e a direção da Adema rechaçaram as críticas e devolveram o ataque com juros. Segundo eles, a empresa contratada pela prefeitura opera sem o devido licenciamento ambiental. Resultado: multa de R$ 1,5 milhão e retenção dos veículos irregulares.
Mitidieri não poupou ironia ao dizer que “quem contrata empresa sem licença deveria repensar seus processos”. Em outras palavras: se o lixo não é recolhido, a culpa é de quem botou a empresa errada no jogo.
A cidade no meio da briga
Enquanto isso, os moradores convivem com lixo acumulado nas esquinas, insetos, doenças e um calor que não perdoa o mau cheiro. A Emsurb, responsável direta pelo serviço, tenta correr atrás do prejuízo. Segundo a prefeitura, 60% da cidade já teve a coleta normalizada e a promessa é de recuperação total até sexta-feira.
Mas o dano já está feito. A própria prefeitura admite que o contrato emergencial com a Renova é frágil. Um novo processo licitatório foi prometido como prioridade. Aliás, promessa não falta. O que falta é planejamento – e responsabilidade compartilhada.
E o povo?
No fim, sobra para quem paga imposto. O jogo de empurra entre Emília e Mitidieri mostra que o lixo é mais que um problema urbano: é reflexo da política pequena, da burocracia que emperra e da eterna mania de terceirizar culpa.
Enquanto a prefeita acusa e o governo rebate, a cidade afunda – na sujeira e no descaso.
Você mora em Aracaju? Como está a coleta de lixo na sua rua? Comente abaixo e compartilhe essa matéria para que mais pessoas saibam o que (não) está sendo feito.
Fontes Principais:
Fan F1, Cinform Online, HT Notícias, Assembleia Legislativa de Sergipe, Câmara Municipal de Aracaju





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