A tal “união pela reconstrução” parece ter prazo de validade curto — e a crise entre Lula e Haddad já saiu da sala do Planalto para o noticiário. A novela do IOF, que deveria ser só mais uma tecnicalidade fiscal, virou a gota d’água de uma relação que nunca foi exatamente harmônica. E o Brasil, como sempre, assiste ao espetáculo dividido entre a incredulidade e o cansaço.
IOF virou símbolo de guerra ideológica interna
Tudo começou com a promessa de Haddad de zerar a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) até 2027, uma exigência do Brasil para entrar na OCDE. Soava bonito para o mercado, mas desagradou em cheio o presidente — que viu na medida uma ameaça à arrecadação num momento em que ele tenta bancar o “pai do social” sem abrir mão do populismo orçamentário.
Lula não gostou. Fez chegar o recado de que o governo precisa de receita, não de afagos ao mercado. E Haddad, que já engoliu muitos sapos desde janeiro de 2023, parece ter engasgado com esse.
Ministro da Fazenda ou inimigo interno?
A crise entre Lula e Haddad revela algo mais profundo: o desconforto com um ministro da Fazenda que pensa mais como banqueiro do que como petista. Enquanto Lula tenta repetir o script do “Lulinha paz e amor com o povo”, Haddad joga no time da responsabilidade fiscal — o que, no atual governo, virou quase um palavrão.
Nos bastidores, ministros do núcleo político já não escondem a irritação com Haddad. Acham que ele fala demais com o mercado e de menos com a militância. E o presidente, que gosta de comandar na unha, está perdendo a paciência com o estilo professoral e técnico de seu pupilo.
Quem vai piscar primeiro?
Essa tensão tem um custo. O mercado já dá sinais de desconfiança. A base aliada anda irritada. E o governo, ao invés de consolidar sua narrativa, está publicamente dividido.
Mais do que uma rusga, a crise entre Lula e Haddad é o retrato de um governo que não consegue decidir se quer ser pragmático ou ideológico. E no meio desse fogo cruzado, quem paga a conta é o contribuinte — que vê os preços subirem, a economia patinar e a política virar palco de vaidade.
E a pergunta que fica: quem recua primeiro? O técnico da austeridade ou o presidente do improviso?
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Fontes principais:
Folha de S.Paulo, O Globo, UOL, Valor Econômico, Poder360.




