Entre tantas togas silenciosas, ele era uma das vozes que realmente incomodavam
O domingo amanheceu mais calado em Aracaju. Edinaldo César Santos Júnior, juiz do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) e auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi encontrado morto em sua residência no bairro Atalaia, aos 49 anos. A notícia, que se espalhou rapidamente pelos corredores do Judiciário e pelas redes sociais, deixou não apenas um vazio institucional — mas um silêncio difícil de digerir.
Ainda não há laudo definitivo sobre a causa da morte, que será esclarecida pelo Instituto de Análise e Pesquisa Forense. O que já se sabe, no entanto, é o peso da ausência que Edinaldo deixa: o peso de alguém que fazia mais do que cumprir expediente.
Um magistrado que levava a toga para onde ela deveria estar: perto da sociedade
Edinaldo César não era só mais um juiz. Era doutorando em Direitos Humanos pela USP, mestre pela Universidade Tiradentes e uma das vozes mais proativas na luta por uma Justiça mais acessível, humana e conectada com os problemas reais da população.
No CNJ, ajudou a construir políticas voltadas à infância, juventude e direitos fundamentais — temas que, infelizmente, nem sempre encontram eco nas prioridades das cúpulas do Judiciário.
Foi também um dos idealizadores do Encontro Nacional de Juízes e Juízas Negros (Enajun), espaço de articulação política e jurídica que ajudou a colocar em pauta discussões muitas vezes ignoradas por quem está confortável na bolha institucional.
O legado que se impõe mesmo na despedida
O Tribunal de Justiça de Sergipe decretou luto oficial de três dias, e diversas entidades — da OAB ao Ministério dos Direitos Humanos — emitiram notas lamentando a perda. Nenhuma delas exagera. Edinaldo era, sim, um nome que fazia diferença, especialmente por não tratar a toga como blindagem, mas como instrumento.
Quem conviveu com ele sabe: sua atuação era marcada pelo compromisso, pela escuta e pela inquietação. Num país onde o sistema de Justiça frequentemente é acusado de viver alheio à realidade social, ele representava uma rara exceção.
E talvez por isso a comoção tenha sido tão imediata. Porque Edinaldo não era apenas “um bom juiz”. Era um agente de transformação dentro de uma estrutura que nem sempre admite ser transformada.
Um funeral público para um homem público
O sepultamento de Edinaldo César acontece nesta segunda-feira, 2 de junho, às 16h, no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju. Às 14h, uma cerimônia religiosa antecede o adeus definitivo.
Cabe agora à sociedade — e ao próprio Judiciário — honrar esse legado com mais do que homenagens protocolares. O nome dele merece estar não apenas nas notas de pesar, mas também nos projetos que se propõem a continuar o que ele começou.
✊ E você, já ouviu falar de um juiz como Edinaldo César antes? Conte nos comentários: que Justiça você quer ver representada?
Fontes principais
- Infonet
- Migalhas
- Correio 24 Horas
- CNJ
- TJSE
- OAB
- Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania




