A saúde pública de Aracaju vai enfrentar um abalo sísmico em julho. E o epicentro atende pelo nome de demissão em massa na saúde em Aracaju. Mais de 1.000 profissionais contratados via PSS (Processo Seletivo Simplificado), muitos com quase uma década de serviço, estão com os dias contados. O governo decidiu cumprir uma ordem judicial que proíbe vínculos temporários prolongados — mas está fazendo isso sem garantia de reposição por concursados. Resultado: caos anunciado.
Contratos temporários viram bomba prestes a explodir
A Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) começou a enviar e-mails frios como bisturi: o contrato de centenas de profissionais será encerrado a partir de 1º de julho. A justificativa? Cumprir a decisão judicial que limita o prazo máximo desses contratos a dois anos. Até aí, tudo dentro da lei. O problema é que o próprio governo vinha empurrando com a barriga esses vínculos desde 2014.
E agora decidiu cortar de vez — sem um plano claro de transição.
Substituir temporário por outro temporário? A conta não fecha
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sintasa) reagiu com indignação: o acordo com o governo previa que esses contratos só poderiam ser encerrados quando concursados fossem chamados. Mas a FHS está, na prática, planejando um novo PSS para trocar seis por meia dúzia. Troca-se o crachá, mas mantém-se a precarização. E o atendimento? Que se vire.
Houve protesto no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse). Há uma assembleia marcada até 11 de junho para definir os próximos passos. Greve à vista?
A matemática do colapso: 1.000 demitidos + dívidas = serviço em colapso
O deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania) usou a tribuna da Alese para dizer o óbvio: sem esses profissionais, o sistema de saúde vai colapsar. E ainda alertou: a FHS tem mais de R$ 81 milhões em precatórios. Ou seja: vai demitir sem pagar o que deve. Um rombo na dignidade — e no contracheque.
Governo diz que cumpre ordem. Mas ignora a realidade
A Secretaria de Saúde (SES) se defende: “estamos cumprindo determinação judicial”. Mas não explica como manterá a assistência médica sem os profissionais experientes que estão sendo cortados. Tampouco diz como pretende pagar as verbas rescisórias. O discurso de “transição gradativa” soa como placebo para uma ferida aberta.
E agora?
- O concurso público está homologado desde 2 de junho. Mas cadê os convocados?
- A nova leva de temporários, se vier, não resolve o problema — só perpetua.
- O risco de judicialização, greve e colapso no atendimento é real e iminente.
O governo plantou esse caos com anos de omissão e adubou com descaso. Agora, colhe a tempestade. E quem vai pagar a conta? O povo, claro — como sempre.
Você trabalha na saúde pública de Sergipe? Está entre os demitidos? Comenta aqui embaixo como essa decisão afeta sua vida — ou sua cidade. Vamos dar voz a quem segura esse sistema com as próprias mãos.
Fontes principais:
- Alese
- HoraNews
- Sintasa
- Sergipe Notícias
- Secretaria de Estado da Saúde (SES)




