Sim, Francisco Cuoco morreu. Aos 91 anos, o homem que atravessou seis décadas de televisão não está mais entre nós. E antes que comecem os obituários mornos e genéricos com “legado na dramaturgia” e “eterno galã”, vamos direto ao ponto: a partida de Cuoco é mais que o fim de um ciclo. É um tapa na cara de quem insiste em fingir que a TV ainda respira sem sua velha guarda.
O ator morreu nesta quarta-feira (19), em São Paulo, após vinte dias internado no Hospital Albert Einstein com infecção renal. A causa oficial? Falência múltipla dos órgãos. Mas sejamos sinceros: o que matou Francisco Cuoco foi um país que não sabe mais lidar com seus ídolos vivos. Já faz tempo que relegaram ele ao limbo das reprises e das homenagens protocolares.
Do taxista ao astrólogo: Cuoco foi protagonista antes disso virar clichê
Quem viveu os anos 70 sabe: não existia Brasil sem Cuoco às oito da noite. Selva de Pedra, Pecado Capital, O Astro… Não eram só novelas. Eram marcos culturais. Ele não interpretava personagens; ele os encarnava. E fazia isso com uma voz rouca que parecia sempre a um passo do deboche, do mistério, da tragédia.
Sim, Francisco Cuoco morreu. Mas cada um dos seus papéis ainda assombra o imaginário coletivo. Carlão, o taxista que topa tudo por dinheiro. Herculano Quintanilha, o picareta com pinta de guru. Personagens que hoje seriam cancelados em três tuítadas, mas que, na mão dele, viravam crônicas de um país em colapso moral.
A aposentadoria não foi escolha, foi exclusão
Nos últimos anos, Cuoco era visto como um “vovô simpático” em participações esporádicas. Mas não se engane: ele não parou porque quis. Foi a TV que o aposentou sem aviso. Preferiram escalar galãs de Instagram com a profundidade de uma colher de chá.
Aliás, sabe o que mais morreu com Francisco Cuoco? A era em que atores eram maiores que seus personagens. Hoje, é o contrário: é preciso fazer dancinha no TikTok para ganhar falas. Cuoco não dançava. Ele dominava a cena. E isso não se ensina no Wolf Maya.
O velório é nesta sexta. Mas o luto é nosso
O velório de Francisco Cuoco está marcado para sexta-feira (20), das 7h às 15h, no Funeral Home, em São Paulo. Será público. O enterro, reservado à família. Mas a despedida verdadeira é coletiva. Cada brasileiro que já assistiu a uma novela sem dormir sabe: hoje o país perdeu um pilar.
E agora?
Francisco Cuoco morreu. Mas e nós, o que fazemos com esse vazio? O mínimo é lembrar que ele não foi um galã. Foi um artista. Um ídolo que existiu antes das redes sociais decidirem quem merece ser lembrado.
No fim das contas, a última lição de Cuoco é essa: morre-se duas vezes. A primeira, quando o coração para. A segunda, quando o país te esquece. Que a gente não cometa esse pecado capital.
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Fontes Principais O Globo, Agência Brasil, Splash UOL




