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Clássico Sergipano: Fábio Mitidieri x Valmir de Francisquinho, a final que vai parar o Estado

Sábado à tarde, boteco lotado em Itabaiana. A fumaça da carne na brasa misturava com o barulho da TV passando um jogo antigo. No canto, a mesa mais barulhenta do recinto: de um lado, Zé de Poço Redondo, camisa vermelha do “Sergipe é Aqui” grudada no suor; do outro, João do Coentro, boné “Itabaiana é Educação” enfiado até a sobrancelha. Entre eles, uma tábua de carne com farofa voando a cada gesto e uma cerveja tão gelada que suava mais que político em debate.

— “João, fala sério… teu prefeito é bom, mas o homem lá da capital tá voando! Poço Redondo virou capital por um dia, rodovia nova, praça, ambulância, sementes… rapaz, o cara fez chover no sertão e ainda abriu sol no mesmo dia!”

— “Chover? Aqui, meu amigo, chove educação! Itabaiana pulou de 26 pra mais de 41% de crianças alfabetizadas! Turma multisseriada? Virou fóssil! E não esquece das cestas básicas, dos fisio valorizados, do agro de primeira…”

— “E o Estado, João? O Mitidieri tá levando investimento até pra beira do rio. Sentou com Lula, fechou pauta no Itamaraty, já tá desenhando a COP30! O homem joga no Estadual, na Libertadores e ainda faz amistoso na Europa.”

— “E o Valmir? Esse aí joga de volante, de centroavante e se deixar apita o jogo! Enquanto o teu tá lá em Brasília falando bonito, o meu tá aqui no campo, marcando e metendo gol de cabeça na prorrogação!”

Os dois se inclinavam pra frente, dedo quase furando a tábua de carne, voz subindo como narrador no último lance do jogo. A plateia do boteco já estava virada em arquibancada, rindo, cutucando o vizinho e tomando partido como se fosse Itabaiana x Confiança na final do Sergipano.

o canto, seu Antônio, 78 anos, que até então só molhava o bico na cerveja, ajeitou o chapéu com calma de quem já viu muita política e bola rolando. Com um sorriso maroto, largou a bomba no meio da roda:

— “Rapaz… essa eleição vai ser igual à final histórica de Itabaiana x Confiança. Torcida rachada, nervos à flor da pele, jogo truncado, juiz apitando mais que rádio velho… e o gol? Só no último minuto, de cabeça, pra fazer o estádio inteiro tremer!”

A mesa explodiu em gargalhadas e provocações. E enquanto no boteco o debate fervia, no WhatsApp a guerra já tava declarada: os “mitidieristas” disparavam fotos de obras com a legenda “O homem não para”. Os “francisquinistas” contra-atacavam com gráfico do MEC e o bordão: “Enquanto uns prometem, outros entregam nota alta”.

De lá pra cá, virou um festival: meme pipocando a cada hora, vídeo de discurso recortado circulando como gol em reprise, e até campeonato de drone pra medir quem lota mais praça e quem filma de ângulo mais favorável. Sergipe não está vivendo uma simples eleição… está jogando um campeonato de pontos corridos com rodadas semanais, provocações diárias e direito a prorrogação no grupo de WhatsApp. Aqui, o apito nunca soa: é ataque e contra-ataque o tempo todo.

E o povo? O povo tá rindo à toa. É raro ver dois gigantes políticos disputando não na base da rasteira, mas no jogo limpo do quem entrega mais resultado. Mitidieri pilota Sergipe como capitão que não tira o olho do horizonte, mão firme no leme, acelerador no fundo e rota clara pro futuro. Francisquinho, o Pato, comanda Itabaiana como maestro que conhece cada nota da partitura: afina a orquestra, mantém o compasso e tira som bonito até do triângulo. 

Um reorganiza o Estado, o outro lapida o município, e juntos acabaram virando referência de gestão. É como se Sergipe tivesse dois times de elite jogando na mesma liga e o campeonato fosse decidido não pela falta, mas pelo gol mais bonito.

Só que 2026 já tá batendo na porta, e o clima é de clássico decisivo com estádio lotado. Vai levar a taça quem tiver mais jogo de cintura pra driblar adversário, mais articulação pra armar jogada e mais paciência pra esperar a contagem dos votos como quem espera o VAR confirmar o gol.
E, principalmente, vai vencer quem não se perder na marcação, porque nessa partida, um vacilo é contra-ataque mortal. Aqui, cada voto é bola dividida e cada discurso é chute no gol.

Por enquanto, o placar tá empatado. Mas, como diria seu Antônio no boteco: — “Se continuar assim, essa final vai pros pênaltis… e o goleiro vai ser o povo.”

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