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Setembro Amarelo: mulheres tentam mais, morrem caladas — e o caso Daniele escancara isso

Ser mulher no Brasil já é difícil. Ser mulher e ter um transtorno mental, pior ainda. Agora, ser mulher, com transtorno mental, em conflito com a Justiça e jogada num sistema penitenciário despreparado? É pedir para o desfecho ser trágico — como foi com a médica Daniele Barreto.

No meio do Setembro Amarelo, campanha criada para prevenir o suicídio, o Brasil é obrigado a encarar o que todo mundo finge que não vê: o suicídio feminino é silencioso, crescente e recheado de sinais ignorados.

A face feminina do suicídio no Brasil

Os números são alarmantes:

  • Mulheres representam cerca de 70% das tentativas de suicídio no país.
  • Entre elas, o método mais comum é a autointoxicação por medicamentos ou venenos.
  • A faixa etária mais vulnerável? Dos 40 aos 69 anos — mulheres com responsabilidades demais, apoio de menos.
  • A subnotificação é gritante. E o estigma piora tudo.

Enquanto isso, o discurso público ainda gira em torno do “homem que não chora”, esquecendo que as mulheres estão morrendo sem sequer serem levadas a sério.

O caso Daniele Barreto: tragédia anunciada

Daniele Barreto era médica. Tinha 46 anos. Foi presa, suspeita de envolvimento no assassinato do marido. E sim, havia um diagnóstico: transtorno de personalidade borderline — condição que aumenta consideravelmente o risco de suicídio.

Mesmo assim, foi retirada de uma clínica psiquiátrica e devolvida a uma cela no Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe. Dias depois, apareceu morta. Sozinha. No lugar errado. Na hora errada. Como se tudo fosse inevitável.

Não era.

Mulheres no cárcere: o abandono institucionalizado

Vamos ser diretos: o sistema prisional brasileiro não sabe o que fazer com mulheres em sofrimento psíquico. Ainda menos quando elas ocupam posições que desestabilizam a narrativa tradicional — como médicas, juízas, mães “fora do script”.

Daniele já havia demonstrado comportamento suicida. Os relatórios médicos existiam. A família alertava. O diagnóstico era claro. Mas nada disso foi suficiente para evitar que o Estado lavasse as mãos.

Aliás, quantas outras Danieles estão hoje presas, medicadas no grito, invisíveis até que alguém tenha que recolher seus corpos?

Transtornos mentais e gênero: o risco é dobrado

A ciência já mostrou:

  • Mulheres com transtornos como borderline, depressão ou bipolaridade enfrentam mais julgamento social e menos acolhimento terapêutico.
  • O estigma é implacável: são chamadas de “loucas”, “manipuladoras”, “histriônicas”.
  • O sofrimento feminino é constantemente deslegitimado — seja por parceiros, juízes, médicos ou jornalistas.

E o resultado é esse: quando elas quebram, todo mundo finge surpresa.

Setembro Amarelo precisa ser mais do que hashtag

A campanha foi oficializada por lei este ano, mas está longe de ser eficaz se não enfrentarmos o óbvio: suicídio tem gênero, classe, raça e contexto. E se o Estado não sabe lidar com mulheres doentes fora do cárcere, imagine dentro.

Falar em saúde mental exige mais do que panfleto e campanha bonita. Exige orçamento, políticas públicas, formação continuada de agentes prisionais, decisões judiciais baseadas em laudos técnicos — e, principalmente, coragem para mudar um sistema que naturaliza o abandono de quem mais precisa.

Daniele não morreu só por causa do transtorno. Morreu porque ser mulher, doente e presa ainda é sentença de morte disfarçada.


Quer aprofundar esse tema? Comente abaixo: quem protege as mulheres em sofrimento no Brasil?


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Fontes Principais

  • Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
  • Ministério da Saúde
  • CNN Brasil
  • UFRN
  • Ciência & Saúde Coletiva
  • OAB-SE

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