O que deveria ser uma sessão de trabalho na Câmara de Vereadores de Macambira, em Sergipe, virou palco de acusações gravíssimas e que não podem ficar sem resposta.
Na tribuna, o vereador Luís Carlos, o “Doidão” (União Brasil), não economizou nas palavras e disparou contra o colega de partido e rival político, o vereador Júnior, o “Bocão”. Segundo Doidão: “O vereador Bocão roubou a arma de um policial. E ele só tem que agradecer ao prefeito Carivaldo, que foi quem recuperou a arma e devolveu ao policial.”
Uma acusação como essa não é conversa de bar nem fofoca de esquina. Estamos falando de um crime gravíssimo: roubo de arma de fogo. E o mais grave ainda: essa denúncia foi feita em plena sessão da Câmara Municipal, diante da população.
Procurado, o vereador Doidão disse apenas que não iria se pronunciar e que o fato teria acontecido há cerca de quatro anos. Já o vereador Bocão, até o fechamento desta reportagem, não foi encontrado para responder à acusação.
Seja como for, a situação não pode terminar em silêncio. Se o que disse Doidão é verdade, então estamos diante de um crime que precisa ser investigado a fundo, com responsabilização imediata. Mas, se não for verdade, então é o vereador Doidão que deve responder pelo crime de calúnia, já que acusar alguém de roubo de arma em público, sem prova, é tão grave quanto o próprio crime.
É hora das autoridades entrarem em cena. O delegado municipal de Macambira precisa abrir investigação urgente. Da mesma forma, o coordenador da Delegacia Regional do Interior não pode se calar diante de uma denúncia feita de forma pública e oficial. O mínimo que se espera é que a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP) se pronuncie.
O povo de Macambira não pode aceitar que a Câmara, em vez de discutir projetos e soluções para a cidade, vire palanque de acusação de crime sem consequência. Ou há provas, ou há punição. O que não pode haver é impunidade.
Afinal, quando uma Câmara Municipal se transforma em palco de denúncias criminais, não estamos mais falando apenas de política, estamos falando da própria credibilidade da democracia e da confiança que a população ainda tenta manter em seus representantes.




