Quando uma médica é atacada dentro do próprio consultório, em pleno horário de trabalho, não estamos falando apenas de um crime — estamos diante de um colapso institucional. A tentativa de estupro ocorrida no dia 9 de setembro de 2025, na UPA Padre Almeida, em Lagarto (SE), escancara uma verdade que muita gente prefere ignorar: quem cuida da saúde dos outros, está sendo deixado à própria sorte.
Silêncio, omissão e retaliação
O caso só veio à tona dez dias depois, puxado pela coragem do CREMESE (Conselho Regional de Medicina de Sergipe), que denunciou o ocorrido e expôs o descaso absurdo da gestão da unidade de saúde. E não estamos falando só da falha em proteger a médica naquele momento — a retaliação institucional foi ainda mais gritante: a profissional foi demitida logo após formalizar a denúncia.
Sim, você leu certo. A vítima de uma tentativa de estupro foi dispensada do cargo como se fosse incômoda, e não violentada.
Um agressor que entrou como quis
O homem que tentou estuprar a médica simplesmente entrou na UPA sem triagem, sem agendamento, sem justificativa médica, e foi direto ao consultório da vítima. Um detalhe que evidencia o grau de vulnerabilidade dessas profissionais: qualquer um entra e faz o que quiser — e ninguém responde por isso.
Não havia segurança na porta. Não havia filtro. Não havia protocolo. E, pior: não houve acolhimento após o crime.
A omissão que perpetua a violência
O CREMESE não poupou palavras: o caso foi uma “grave violação à integridade física, sexual e psicológica da médica” e “uma afronta à dignidade de todos os profissionais de saúde”. A postura da direção da UPA — que tentou abafar o caso, desencorajou o boletim de ocorrência e ainda minimizou os fatos — revela o que está por trás da estatística: instituições que silenciam e punem vítimas ao invés de protegê-las.
E a Prefeitura?
A prefeitura de Lagarto, pressionada pela repercussão, emitiu uma nota protocolar: disse que repudia o crime, prometeu apoio psicológico e jurídico à médica e anunciou uma investigação interna. Mas esqueceu de explicar o essencial: por que a profissional foi demitida?
Até agora, silêncio.
Falhas que colocam vidas em risco
Esse episódio é só mais um capítulo da crônica de violência e negligência vivida por quem trabalha em postos de saúde Brasil afora — especialmente mulheres. A ausência de protocolos de segurança, de vigilância adequada e de suporte institucional em caso de violência mostra que os profissionais estão expostos não só a doenças, mas a agressões físicas, sexuais e psicológicas.
E o mais revoltante: quando denunciam, ainda correm o risco de perder o emprego.
O que está em jogo?
- A segurança nas unidades de saúde virou piada de mau gosto.
- Profissionais estão sendo atacados e demitidos por denunciar.
- Instituições públicas seguem falhando em garantir o mínimo: um ambiente de trabalho seguro.
E agora?
A investigação segue nas mãos da Delegacia de Atendimento à Mulher de Lagarto, mas a identidade do agressor ainda não foi revelada. A médica, demitida, aguarda justiça. O CREMESE promete acompanhar o caso, e a sociedade assiste — chocada, mas nem sempre mobilizada.
Se nada mudar, a próxima vítima já está escalada. E pode ser no consultório da esquina.
💬 O que você acha da demissão da médica? A UPA agiu certo? Comente e compartilhe — essa discussão precisa sair das manchetes e entrar no debate público.
Fontes principais:
G1 Sergipe, Infonet, NE Notícias, Hora News, Fanf1, A8SE, Polícia Civil de SE.




