O Ministério Público de Contas de Sergipe (MPC-SE) acaba de jogar luz sobre um escândalo que tem cheiro de esgoto maltratado: a movimentação irregular de R$ 105 milhões pelo ex-prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Padre Inaldo. O dinheiro veio da outorga paga pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), mas, ao invés de virar infraestrutura, parece ter escorrido para gastos de rotina — exatamente o que a lei proibia.
E aí fica a pergunta que não cala: como se gasta mais de R$ 56 milhões em apenas sete dias, entre o Natal e o Ano Novo?
O dinheiro do saneamento que virou folha de pagamento
Em 24 de dezembro de 2024, o município recebeu a primeira parcela da concessão do saneamento: nada menos que R$ 105 milhões. A lei era clara: aplicar em obras de infraestrutura, projetos sustentáveis ou pagamento de precatórios.
Mas não foi isso que aconteceu. Entre 26 e 27 de dezembro, o valor foi transferido para contas gerais da prefeitura. No apagar das luzes do mandato, mais de R$ 56 milhões evaporaram em apenas uma semana, bancando desde salários e gratificações de servidores até tarifas bancárias, combustíveis e contratos antigos sem relação com a outorga.
Ou seja: o dinheiro que deveria garantir saneamento básico acabou tapando buracos de caixa.
O que a lei diz e o que foi feito
A Lei Complementar Estadual 398/2023 determinava claramente o destino da verba. Só que o ex-prefeito parece ter preferido a “lei do improviso”:
- Gastou sem apresentar Plano de Aplicação.
- Dispersou recursos em contas múltiplas, dificultando o controle.
- Ignorou a obrigação de criar uma aba específica de transparência.
Resultado: um prato cheio para acusações de improbidade administrativa e crime de responsabilidade, previstos no Decreto-Lei 201/1967.
O que pede o MPC-SE
A representação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-SE) não é leve. O órgão exige:
- Julgamento irregular das contas do ex-prefeito.
- Devolução dos valores mal aplicados.
- Aplicação de multa.
- Envio do caso ao Ministério Público Estadual para apuração criminal.
Enquanto isso, a atual gestão, comandada por Samuel Carvalho, tenta se blindar: garante que hoje os recursos são aplicados “de forma transparente” e com Plano de Aplicação vigente.
E agora?
O processo foi distribuído a um conselheiro do TCE. Se aceito, o ex-prefeito será citado para apresentar defesa. Até lá, a população de Socorro segue sem saber o destino real de uma bolada que poderia ter mudado a vida de milhares de moradores.
E fica o retrato da política sergipana: a água não chega limpa na torneira, mas o dinheiro escorre fácil para os cofres errados.
E você, leitor: acredita que esse caso vai terminar em punição exemplar ou vai engrossar a lista de escândalos que acabam em pizza? Comente, compartilhe e ajude a manter esse debate vivo.
Fontes principais:
G1, A8SE, Infonet, F5News, Iguá Sergipe.




