A disputa territorial entre Aracaju e São Cristóvão não é apenas um bate-boca jurídico: estamos falando de quase 20,8 km² de terra, 30 mil moradores e centenas de milhões de reais em jogo. E, como sempre, Brasília virou o palco onde prefeitos, deputados e senadores tentam decidir o destino de quem já vive há décadas na chamada Zona de Expansão.
Brasília virou ringue político
Sem a presença da prefeita Emília Corrêa, que estava em São Paulo, coube ao vice-prefeito Ricardo Marques e ao procurador-geral Hunaldo Mota liderarem a comitiva aracajuana. Eles percorreram gabinetes, apertaram mãos e saíram de Brasília com a promessa de que o Projeto de Lei Complementar 6/2024, de autoria do deputado Rafael Simões, não ficará engavetado.
O relator, Hildo Rocha, garantiu análise em até três semanas na CCJ. E a bancada sergipana fez questão de posar ao lado da comitiva: nomes como Georgeo Passos, Gustinho Ribeiro e Alessandro Vieira apareceram para mostrar apoio. Até o presidente da Câmara, Hugo Motta, fez sinal de positivo. Promessa política a gente já conhece; resta saber se dessa vez ela se transforma em voto.
O que está em jogo: 2 mil campos de futebol e milhões de reais
A área disputada representa 11,4% do território de Aracaju. Ali vivem cerca de 30 mil pessoas, que podem ser obrigadas a virar “são-cristovenses” da noite para o dia. Só em impostos, Aracaju arrecada R$ 5,2 milhões por ano, mas gasta muito mais: R$ 124 milhões anuais em serviços básicos, sem contar os R$ 268 milhões já investidos em escolas, postos de saúde e infraestrutura.
São Cristóvão, por sua vez, vê aí a chance de aumentar sua população em 30% e receber reforço de caixa. O prefeito Marcos Santana diz que está preparado para assumir. Difícil é convencer o morador da região, que já gritou nas ruas: “Aracaju, sim. São Cristóvão, não”.
Uma briga que vem de 1989
A confusão não é nova. Lá na Constituinte de 1989, os limites foram alterados sem consulta popular. Em 2012, a Justiça Federal derrubou a lei municipal e o STF confirmou: mudança sem ouvir o povo é inconstitucional. Agora, o governo estadual promete um estudo técnico que só deve ficar pronto em abril de 2026. Até lá, ninguém sabe de fato a quem pertence a Zona de Expansão.
As alternativas políticas e a pressão popular
Enquanto o PLP 6/2024 avança, a deputada Katarina Feitoza já colocou outro projeto na mesa: o PLP 197/2025, que tenta criar regras claras para disputas territoriais. Ou seja, mais papel para uma briga que já ultrapassou gerações.
Do lado de cá, os moradores organizados no Movimento Somos Aracaju querem audiência pública, plebiscito e garantias de que não serão tratados como peças de tabuleiro. O senador Alessandro Vieira também defende consulta popular: “decisão sem ouvir o povo não é democrática”.
O que vem por aí
O Fórum em Defesa da Grande Aracaju já pediu mediação direta do governador, tentando evitar que a questão vire mais uma novela judicial sem fim. Enquanto isso, a comitiva aracajuana voltou para casa vendendo otimismo. Brasília é cheia de promessas, mas só o tempo — e a mobilização popular — dirá quem vai mandar na Zona de Expansão.
E você, leitor? A Zona de Expansão deve ser de Aracaju ou de São Cristóvão? Comente, compartilhe e entre nesse debate que mexe com história, dinheiro e identidade de milhares de pessoas.
Fontes Principais
Prefeitura de Aracaju, Câmara dos Deputados, STF, UOL, G1, HoraNews, Revista Realce.




