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Paulo Roberto Nascimento: o historiador que fez da Sergipanidade sua bandeira

O coração da cultura sergipana perdeu um de seus guardiões mais apaixonados. O historiador Paulo Roberto Gomes do Nascimento, ou simplesmente Paulinho, foi encontrado morto em sua residência no conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro, na quinta-feira, 25 de setembro de 2025. A notícia abalou não só amigos e familiares, mas também todos que reconheciam nele uma voz firme em defesa da memória e da identidade de Sergipe.

Um servidor público que foi além da burocracia

Paulo Roberto dedicou anos de sua vida ao Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), de onde se aposentou com a mesma seriedade que sempre marcou sua trajetória. Mas reduzir sua história a um servidor público seria injustiça: Paulinho foi professor, pesquisador e, sobretudo, um incansável divulgador da cultura popular sergipana. O próprio TJSE, em nota oficial, destacou sua importância para além das paredes do Judiciário — ele foi um educador do povo.

O professor do folclore sergipano

Quem acompanhava a televisão local provavelmente já esbarrou em suas entrevistas. Em agosto deste ano, ele esteve no SE1 da TV Sergipe, explicando, com paixão contagiante, o significado do Dia do Folclore. Anos antes, no Giro Sergipe, falou sobre os Reisados, Taieiras e tantas tradições que, para ele, não eram apenas festas, mas símbolos de resistência cultural.

Paulinho sabia como poucos traduzir o que é a sergipanidade. Em suas palavras, era “a hospitalidade, a alegria e a mistura de raças e culturas que moldaram nosso estado”. Não falava de abstrações: mostrava na prática, lembrando as contribuições do negro, do indígena e do europeu na formação do nosso povo.

Voz crítica e apaixonada pela identidade

Ao mesmo tempo em que celebrava, ele alertava. Não tinha medo de cutucar feridas: falava sobre os riscos da globalização engolir a identidade sergipana, questionava a superficialidade das redes sociais e cobrava pertencimento cultural. Era, antes de tudo, um pensador provocador, desses que incomodam porque não deixam o tema morrer na sala de aula ou na academia.

Um legado escrito na memória coletiva

Paulo Roberto não apenas estudou o folclore, ele viveu e espalhou suas cores. Dos Lambe-Sujos e Caboclinhos de Laranjeiras ao Reisado do ciclo natalino, sua voz ecoava como um lembrete: tradição não é peça de museu, mas prática viva que nos mantém de pé.

Sua atuação ultrapassava a pesquisa: esteve em debates sobre igualdade racial, participou do Proler discutindo medicina popular, e até coordenou a Renafro (Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde), reforçando a conexão entre cultura, identidade e resistência.

O adeus a um guardião

O corpo de Paulo Roberto foi sepultado nesta sexta-feira, 26 de setembro, no Cemitério Santa Isabel, em Aracaju, após uma homenagem realizada na Osaf. Sergipe se despede não apenas de um historiador, mas de alguém que fez da cultura sua militância diária.

Sua morte deixa um vazio, mas também uma missão para todos nós: não permitir que a sergipanidade se perca em meio ao barulho do mundo moderno. Paulinho partiu, mas sua voz segue ecoando em cada canto, cada dança, cada celebração popular deste estado que ele tanto amou.


E você, leitor: qual tradição sergipana mais te conecta às suas raízes? Conte nos comentários e compartilhe essa homenagem para que mais pessoas conheçam e celebrem o legado de Paulo Roberto Nascimento.


Fontes Principais

F5 News, G1 Sergipe, TJSE, TV Sergipe, Agência de Notícias de Sergipe

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