Na madrugada de 1º de outubro de 2025, Estância acordou com mais uma cena que já virou estatística nacional, mas que nunca deveria ser normalizada. Deise Erika Dias dos Santos, de 38 anos, mãe de sete filhos, foi assassinada com um tiro no peito dentro da própria casa, no Conjunto Carmem do Prado Leite. O autor? Seu companheiro, Edson Alan de Jesus Lima, 31 anos, pai de três das crianças.
O caso escancara, de forma cruel, o que acontece quando a violência doméstica é silenciada por medo — e mostra o quanto pedir ajuda pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Um crime que poderia ter sido evitado
Segundo relatos das filhas, Deise sofria agressões físicas e psicológicas há pelo menos dez anos. Dez anos. Uma década de abusos que nunca virou denúncia formal. O motivo? O medo de represálias. Edson mantinha um revólver em casa, consumia álcool frequentemente e já havia transformado a rotina da família em um campo minado.
Naquela madrugada, a tragédia se concretizou. Dois filhos pequenos estavam a poucos metros da cama onde a mãe caiu baleada, enquanto a filha mais velha ouviu do próprio autor a confissão do crime.
Pouco depois, um dos filhos, em desespero, gritava na porta: “Quero ver minha mãe!”. Cena que jamais deveria existir.
A prisão rápida e a versão covarde
Edson fugiu de moto, pediu dinheiro a parentes e chegou a confessar o crime a familiares. Menos de 12 horas depois, foi preso em operação da Delegacia da Mulher de Estância com apoio da Dipol.
Na delegacia, confessou o disparo, mas tentou se defender com a narrativa de que “foi acidental”. Difícil acreditar em “acidente” quando há dez anos de histórico de violência por trás.
Agora, Edson espera audiência de custódia, mas a Justiça já trabalha com a prisão preventiva.
Sete filhos órfãos de mãe
O feminicídio de Deise deixou sete filhos, com idades entre 5 e 21 anos. Todos órfãos de uma mãe que carregava o mundo nas costas. Três são filhos do próprio assassino, quatro de relacionamentos anteriores.
Não há informações oficiais sobre quem assumirá a guarda. Estância conta com a Casa Acolhedora Zilda Arns e dois Conselhos Tutelares, mas o drama é maior que qualquer instituição: quem ampara a dor de crianças que viram a mãe morrer dentro de casa?
Além da tragédia imediata, esses filhos podem ter direito à pensão especial prevista pela Lei nº 14.717/23, que garante amparo a órfãos do feminicídio. Mas até a burocracia se mover, a dor já terá envelhecido muitos anos na vida dessas crianças.
O alerta: silêncio não protege, mata
O caso de Deise não é isolado. É mais um retrato do Brasil em que mulheres continuam morrendo dentro de casa, vítimas de companheiros que deveriam protegê-las. Estância registra seu primeiro feminicídio de 2025, mas essa conta macabra só cresce no país inteiro.
É por isso que este texto não é apenas uma notícia. É um alerta. Se você, mulher, sofre agressões — físicas, psicológicas ou mesmo aquelas humilhações que parecem “pequenas” — não espere o próximo capítulo virar tragédia.
Existem canais de apoio:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher
- 190 – Polícia Militar (em casos de emergência)
- Delegacias da Mulher (DAGV)
- CRAS e Conselhos Tutelares
O silêncio não salva. A denúncia, sim.
Quando a omissão vira cúmplice
O feminicídio de Deise só aconteceu porque houve um sistema inteiro que falhou: o Estado que não chegou, a família que temia denunciar, os vizinhos que talvez tenham ouvido gritos. Esse é o ciclo da violência doméstica — e só se rompe com ação.
Portanto, cada caso de agressão ignorado é um aviso de tragédia futura. Quantas Deises ainda terão de morrer para que a denúncia deixe de ser exceção?
E você, o que pensa sobre o silêncio que alimenta a violência? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe este alerta para que mais mulheres saibam que não estão sozinhas.
Fontes Principais
Infonet, G1 Sergipe, A8SE, SSP-SE, AJN1, Estância Agora




