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Médico é preso por crimes sexuais contra pacientes em Aracaju: “procedimentos atípicos”, segundo ele

A “Operação Hipócrates” escancarou o abuso de poder travestido de jaleco. Endocrinologista foi preso em flagrante e a Justiça manteve a detenção.

O caso que arranha a medicina

Não foi uma denúncia isolada. Nem um mal-entendido. O que aconteceu em Aracaju expõe um abismo entre a confiança no consultório e a brutalidade de quem devia cuidar. O endocrinologista Paulo Marcelo Santos Sobral, de 46 anos, foi preso em flagrante por suspeita de crimes sexuais contra pacientes do sexo masculino, cometidos durante atendimentos clínicos.

O médico foi detido pela Polícia Civil de Sergipe, na tarde de quarta-feira, 8 de outubro, numa clínica no Centro da capital. A ação recebeu o nome de “Operação Hipócrates” — uma ironia que dói: faz referência ao juramento ético que todo médico faz ao iniciar sua carreira.

Na audiência de custódia, realizada na manhã de quinta-feira (9), a Justiça decidiu manter a prisão preventiva, entendendo que havia indícios sólidos e risco de novos abusos.

Quando o “procedimento” é o próprio crime

Segundo a investigação da 2ª Delegacia Metropolitana, os abusos começaram a ser apurados em abril de 2025, após uma denúncia inicial. A partir daí, o que veio à tona foi um padrão de conduta absolutamente incompatível com a medicina — e com a decência.

De acordo com os delegados Carlos Antônio Pereira de Oliveira Júnior e Gregório Bezerra Silva, o médico alegava que os atos faziam parte de um procedimento clínico. Mas, ao ser confrontado, reconhecia que eram “procedimentos atípicos”. Isso mesmo: admitia, em conversa gravada, que estava fazendo algo fora dos protocolos.

Entre as provas reunidas:

  • Depoimentos consistentes de pacientes
  • Gravações de áudio que confirmam os abusos
  • Outros elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva

Tudo conduzido com sigilo e acolhimento às vítimas, segundo a polícia.

O endocrinologista experiente, o abuso camuflado

Paulo Marcelo é conhecido na área da endocrinologia, com mais de 15 anos de atuação em clínicas de Aracaju, incluindo a Clínica Climedi. Seu nome nunca havia aparecido em listas de denúncias ou processos disciplinares — até agora.

A defesa, liderada pelo advogado Newton Carvalho, diz acreditar na “absoluta inocência” do médico e nega veementemente as acusações. Argumenta que a prisão é “desnecessária, desmedida e desarrazoada”, e promete recorrer da decisão judicial.

O ponto curioso? A própria defesa ainda não teve acesso integral ao conteúdo da denúncia do Ministério Público. Mas já diz que o médico “não oferece risco à sociedade nem ao processo”. É esperar pra ver.

Conselhos e sindicatos reagem — e a sociedade também

O CREMESE (Conselho Regional de Medicina de Sergipe) afirmou que abrirá procedimento ético-disciplinar, mas que soube do caso pela imprensa. O SINDIMED, por sua vez, foi mais direto: repudiou qualquer conduta antiética que viole pacientes, destacando que cabe à polícia proteger e à justiça punir.

Enquanto isso, a Polícia Civil faz um apelo para que novas vítimas se manifestem. O delegado Gregório Bezerra deixou claro:
“Queremos romper o ciclo de silêncio que cerca esse tipo de violência. Outras vítimas podem estar caladas, com medo, ou sem saber que o que passaram foi crime.”

Canais de denúncia

Você foi vítima de situação parecida? Presenciou algo semelhante? As autoridades reforçam que a denúncia pode ser anônima.

  • Disque-Denúncia: 181
  • 2ª Delegacia Metropolitana de Aracaju: (79) 3198-2400 / 3198-3104

A confiança rompida no consultório

“Primeiro, ele me tocou dizendo que fazia parte do exame. Depois, falou que era um método próprio. No fim, admitiu que era um ‘procedimento atípico’”, relatou uma das vítimas à polícia.

Esses relatos apontam o que talvez seja o mais doloroso: o rompimento da confiança num ambiente que deveria ser de cuidado. O consultório, que deveria acolher, virou palco de humilhação.

A Operação Hipócrates joga luz sobre um tema incômodo, mas urgente: quem fiscaliza o poder médico? Quem protege os pacientes? E quantos mais estão em silêncio?


Sua opinião importa

Já passou por algo semelhante? Acredita que o sistema de fiscalização médica é falho?
Comente abaixo, compartilhe a matéria e ajude a romper o silêncio. A sociedade precisa encarar esses monstros de jaleco branco — e tirá-los de circulação.


Fontes principais:

G1 Sergipe, Polícia Civil de Sergipe, Infonet, F5News, CNN Brasil, SINDIMED, CREMESE, HoraNews, Fanf1

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