Vamos lá, meninas, feministas de palco, de bastidor, de trincheira, de timeline ou de sapatilha. Chega aqui, porque hoje a gente precisa celebrar uma mulher que fez história. E não é só mais uma efeméride da ONU, nem uma cota simbólica pra inglês ver. É Prêmio Nobel da Paz, minha gente! E em 2025, o nome gravado nesse título global não é de embaixador, nem de diplomata de paletó francês. É de uma mulher. Latina. Ousada. Daquelas que encararam uma ditadura sem filtro, sem media training e com o risco real de ser presa ou morta.
Sim, ela é de direita, respirem. Mas é mulher, valente, firme e livre, e isso deveria bastar para que todas nós de esquerda, centro, canto ou camarote, batêssemos palmas de pé. Porque quando uma mulher enfrenta o Leviatã sozinha, a gente não pergunta o partido dela. A gente pergunta: “como posso ajudar?”
Mas não. O que a gente viu? Silêncio. Um silêncio constrangedor. A imprensa, que cobre até cocô de cachorro se for em Paris ou no Conjunto Augusto Franco, tratou o Nobel de María Corina como se fosse a previsão do tempo. Manchetes frias, sem emoção, quase pedindo desculpa por noticiar. A esquerda? Encolheu-se atrás dos seus dogmas como se reconhecer uma mulher corajosa de direita fosse trair Che Guevara, Madurio e Lula no Tinder. E o movimento feminista mainstream? Mutado. Porque María Corina não brande bandeiras identitárias, não desfila na Paulista e na Passarela do Caranguejo, não diz o que querem ouvir. Ela só enfrentou um ditador com a cara, a coragem, e sem rede de apoio, nem hashtag, nem coletiva.
Enquanto isso, Nicolás Maduro, aquele cosplay de ditador que parece ter saído de uma paródia do Porta dos Fundos do Tequila Café com sotaque bolivariano, continua perseguindo opositores como se estivesse num reality show autoritário. Já Lula, nosso ex-sindicalista global, disse que ela “não devia chorar”. Ah, o feminismo sensível do presidente. Comparou a situação dela com a dele em 2018, esquecendo, talvez, que ela não teve o privilégio de fazer live com Haddad, nem entrevista com youtuber progressista. María teve que se esconder. Literalmente.
E o Itamaraty? Silêncio diplomático. Não fosse o comitê norueguês, ela continuaria sendo só mais uma “inconveniente” do noticiário que não agrada a esquerda gourmet. No Brasil, se María Corina não entra no figurino da militância identitária, ela vira um corpo estranho. Um ruído na narrativa. Um problema de alinhamento ideológico.
Mas deixa eu lembrar uma coisa com todo o carinho ácido de uma professora que já viu muito desfile e muito vexame: a luta pela democracia é maior que os nossos partidos. Maior que as hashtags. Maior que os nossos vieses de estimação. María Corina foi eleita pelo povo venezuelano, foi impedida de concorrer, foi caluniada, perseguida, e mesmo assim, mesmo assim! Continua sendo a maior voz de resistência democrática na América Latina hoje.
Então, vamos combinar uma coisa entre nós, mulheres? Vamos parar de medir a coragem feminina com régua partidária. Vamos parar de só aplaudir quem nos agrada esteticamente ou ideologicamente. O nome de 2025 é o nome de uma mulher que se levantou quando era mais fácil abaixar a cabeça. E isso merece mais do que um parabéns protocolar. Isso merece palco, respeito, e, por que não?, aquele look inteiro de aplauso sincero.
Sim, María Corina é liberal, é de direita, é contra Maduro e olha que loucura, também contra a esquerda autoritária que anda ganhando afagos em cafés diplomáticos por aí. Mas ela é, acima de tudo, a prova viva de que o feminismo de verdade precisa sair do algoritmo e encarar o mundo real. O feminismo que ignora María Corina está tão perdido quanto uma pauta no grupo da família em dia de eleição e homem de 40+ no Stones achando que ainda é menino.
Se você não é capaz de reconhecer essa mulher como símbolo de resistência, talvez precise de mais leitura e de menos panfleto. Porque o verdadeiro feminismo não tem medo de aplaudir quem incomoda. E María Corina incomoda e como incomoda. Que bom. Porque é disso que revoluções são feitas. Parabéns minha linda! Deus abençoe e viva María Corina!




