Em cinco meses, quatro mortes. Nenhuma arma, nenhum sangue, nenhum barulho. Só um veneno — e uma estudante de Direito com sangue frio o bastante para transformar comida em sentença de morte.
O nome dela? Ana Paula Veloso Fernandes, 36 anos, agora conhecida como a “serial killer do chumbinho”. E o que mais espanta nesse caso não é só o crime — é a frieza com que ela o tratava.
A mulher que estudava leis, mas escolheu a morte
Enquanto colegas de faculdade liam o Código Penal, Ana Paula testava doses de terbufós, um agrotóxico mortal, em dez cachorros. Queria entender “como o corpo reagia”, segundo confessou.
Ela chamava isso de “experimento”. A polícia, de sadismo puro.
De Guarulhos ao Rio, Ana Paula envenenou quatro pessoas com precisão quase cirúrgica. Feijoada, bolo, milkshake — tudo virava arma. A vítima comia, passava mal, e ela era a primeira a correr para a delegacia. A assassina se apresentava como testemunha.
A mente por trás do veneno
Segundo o psiquiatra forense Talvane de Moraes, o comportamento de Ana Paula é clássico: “ela busca controle absoluto, até sobre a narrativa”.
E isso faz sentido. A mulher que matava também queria ser a primeira a contar a história — para distorcê-la a seu favor.
O delegado Halisson Ideiao Leite foi direto: “Ela tem prazer em matar. A motivação pouco importa.”
Ou seja, não era por amor, ciúme ou dinheiro. Era pelo poder de decidir quem vive e quem morre — e o prazer de assistir à agonia de perto.
Entre o espelho e a sombra: a irmã gêmea cúmplice
A história ganha contornos quase cinematográficos quando entra em cena Roberta Cristina, a irmã gêmea de Ana Paula.
As duas falavam em código — chamavam o pagamento pelos assassinatos de “TCC”, como se o crime fosse um “trabalho de conclusão de curso”.
Coincidência? Ironia mórbida? Ou só o retrato de duas mentes que confundiram intelecto com impunidade?
Roberta, segundo a polícia, administrava os “negócios”. Definia valores, dava dicas sobre como não deixar rastros digitais e, claro, cobrava sua parte.
Afinal, no mundo de Ana Paula, até o crime era profissionalizado.
O detalhe que mais arrepia
O episódio que define Ana Paula talvez seja o primeiro assassinato.
Ela morou por cinco dias com o corpo de uma das vítimas, até que o cheiro denunciasse o crime.
E quando foi interrogada, riu. Riu ao falar da morte, riu das perguntas.
A risada virou símbolo de uma mente que não sente culpa — porque não enxerga o outro como humano.
A psicopata que quis ser protagonista
Há algo de perversamente fascinante nesse caso.
Ana Paula não fugiu. Não se escondeu. Ao contrário: ela quis estar no centro da cena.
Ligava para a polícia, acompanhava as vítimas até o hospital, simulava empatia.
Era como se encenasse um papel — e, por algum tempo, convenceu todo mundo.
Afinal, o que é mais assustador: o veneno no prato ou o sorriso de quem o serve?
A justiça (ainda) está em andamento
Hoje, Ana Paula está presa na Penitenciária de Santana. A irmã, Roberta, também.
O Ministério Público pede julgamento por quatro homicídios triplamente qualificados, e a polícia ainda investiga se há outras vítimas.
O juiz que decretou a prisão foi claro: “Se solta, ela mata de novo.”
E a pergunta que fica: como alguém que estudava leis aprendeu tão bem a burlar a moral?
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O caso de Ana Paula Veloso é mais do que uma história policial. É um espelho incômodo sobre até onde vai a manipulação humana.
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Fontes principais
G1, CNN Brasil, Metrópoles, CartaCapital, InfoMoney, Veja, Migalhas.




