PUBLICIDADE

O PT de Sergipe e o labirinto político de 2026

A entrevista de Eliane Aquino ao radialista Narciso Machado, no Jornal da Fan, parecia, à primeira vista, apenas mais uma fala de fidelidade partidária. Mas bastou um pouco de atenção para perceber o que estava nas entrelinhas: o PT de Sergipe anda sem bússola, sem mapa e, ao que tudo indica, sem piloto.

Eliane, hoje secretária nacional do Bolsa Família, elogiou a saída de Márcio Macêdo do ministério e seu retorno à arena eleitoral. Segundo ela, ele é “um quadro petista histórico, ético, que sabe a necessidade do povo brasileiro”. Tudo certo, exceto pelo detalhe de que o PT local parece ter virado uma peça de museu: vive de história, mas carece de movimento.

A entrevista, na prática, foi o anúncio não oficial de que Eliane não será candidata a nada. E mais: entregou o bastão, o discurso e, talvez, até o palanque para Márcio Macêdo. O problema? Márcio sai de Brasília sem ter deixado nem rastros de protagonismo. Sua passagem pela Secretaria-Geral da Presidência foi tão discreta que, se o governo fosse uma orquestra, ele teria sido o triângulo, importante, mas raramente notado.

Agora, o ex-ministro tenta se reinventar como candidato a deputado federal. Mas sem base local sólida, sua volta a Sergipe soa menos como um retorno triunfal e mais como um recomeço cauteloso, quase um “modo avião” político.

Enquanto o PT se perde em discursos de nostalgia, Sergipe se movimenta. O governador Fábio Mitidieri, com a paciência de quem tenta montar um quebra-cabeça político sem perder as peças, precisa administrar um bloco que parece maior que o próprio Estado. E é aí que entra André Moura, sempre direto e pragmático: “Três, quatro candidaturas ao Senado? Isso não existe!”. André fala como quem já viu de perto o filme da confusão eleitoral e não quer reprise. Ele sabe que política não é corrida de revezamento, é maratona com obstáculo, e excesso de corredores só atrapalha.

Fábio, por sua vez, tem mostrado mais perfil de gestor do que de articulador de bastidores, mas ainda assim mantém o equilíbrio.
Entre Edvaldo Nogueira, Rogério Carvalho e Alessandro Vieira, a fila para o Senado cresce, e o risco de colisão também. O governador terá de mostrar habilidade de maestro: se o tom subir demais, desafina o coro; se baixar, o bloco se dispersa.

E o PT? Continua assistindo, de camarote, aos movimentos da base aliada. O partido que um dia foi sinônimo de protagonismo hoje parece um espectador nostálgico, aplaudindo lembranças de Déda enquanto tenta reencontrar o roteiro. A fala de Eliane, exaltando a “ajuda de Márcio a Sergipe e ao Brasil”, soa como discurso de formatura de turma que já terminou o curso há anos.

Enquanto isso, Fábio Mitidieri e André Moura seguem como as vozes da razão na política sergipana. Um fala em coesão, o outro em gestão e o eleitor, cansado de discurso, só pensa: “quem resolver o caos, ganha meu voto.” A corrida de 2026 já começou, mas tem gente ainda amarrando o tênis e, pelo ritmo, Edvaldo Nogueira, Alessandro Vieira e Rogério Carvalho podem ficar pelo caminho antes da primeira curva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *