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Propriá faz história outra vez: antes o STF, agora a FIFA

Da ribeirinha Propriá, onde o Velho Chico não corre, respira, onde suas águas contam histórias, a farinha d’água vira identidade e o doce de batata é memória afetiva embrulhada em papel, nasce uma heroína do apito. Thayslane de Melo Costa, filha do Rio São Francisco, moldada pelo vento que sopra do cais, pelas risadas do Tênis Clube, pelos passos na antiga Boate Cavaleiro da Noite, pelos mergulhos no Mangaba e pelas mesas felizes no bar de Toinho, ergueu o nome de sua terra do barranco para o mundo. E não foi de salto, brilho ou passarela, foi de chuteira na mochila, apito firme, fibra de atleta e coragem de quem sabe que árbitro bom não corre atrás da bola: guia o jogo e impõe respeito

Desde menina, ouvia os barcos deslizando, o vento se enroscando nas mangueiras e pensava: “Se um dia eu entrar no campo, vai ser para fazer justiça com apito de ouro”. E entrou, foi subvogada por arquibancadas, por criticam que dizem “árbitra mulher? No meu jogo não”. Transformou esse “não” em aplauso. E esse aplauso agora ecoa na capital, sim, mas começou no cais de Propriá.

Hoje, Thayslane representa Propriá como poucos. Quando anuncia “sou da ribeirinha de Propriá”, quer dizer: sou criança de barco, de rede, de sol forte e de povo que acredita. E esse povo está vibrando. Crianças aplaudem, adolescentes querem ser “como ela”, mães dizem “olhe lá nossa menina”, os barqueiros gargalham e os pescadores aplaudem. A cidade inteira em estado de festa.

E por quê todo esse furdunço? Porque a promotora FIFA escolheu a própriaense para jogar no campo mundial. Com o escudo da FIFA no peito, sim, ela foi aprovada em avaliação física, aprovada tecnicamente, escalada para jogos de seleção feminina Sub-20, decisões de campeonato, Thayslane não está apenas dominando o apito, está dominando o respeito. 

Propriá, terra que já mandou para o topo da Justiça um filho ilustre, Carlos Ayres Britto, o poeta do STF, agora exporta outro símbolo de autoridade: uma árbitra FIFA. Se antes Propriá julgava no Supremo, agora apita no mundo. Sai o martelo da Suprema Corte, entra o apito que vale como sentença em campo. E convenhamos: quando uma cidade ribeirinha consegue formar quem diz “está julgado” em Brasília e, agora, quem diz “jogo que segue” nos gramados internacionais, é porque grandeza não se mede em quilômetros, e sim em talento.

E num trocadilho próprio da alma propriaense: se Carlos Britto interpretava a Constituição, Thayslane interpreta o impedimento, com a mesma serenidade, firmeza e poesia no olhar. Como deveria dizer o mestre Ayres Britto ao falar dessa filha da mesma terra: “A arbitragem, quando bem exercida, é o poema da justiça em movimento. E essa moça, com seu apito lírico e sua postura constitucional de equilíbrio, mostra que Propriá segue tecendo grandezas no tear do Brasil.” (pensamento nosso).

Em outras palavras: Propriá pode ser pequena no mapa, mas tem vocação para formar gente gigante, seja para comandar tribunais ou gramados. Porque onde corre o Velho Chico, corre também uma vocação para a história. E agora, além de jurista, Propriá tem sua musa do apito: a Constituição e o futebol agradecem. Opine e comente o texto.

Respostas de 3

  1. Ótimo texto, perfeita análise!
    Temos muitas joias a serem lapidadas, necessitando apenas,oportunidade, filhos e filhas do Opará nasceram para brilhar!

  2. Obrigada por trazer à baila que em Sergipe temos pessoas q contribuem significamente no cenário nacional e internacional.

  3. Parabéns a cidade e a família de Tais ,sempre prestigiei e acreditei no talento dela. O mérito é todo dela, por ter atingido o seu objetivo e seu sonho. De Propriá para o mundo com a proteção do Senhor. Desejos de Graciete Cariri e família. Boa Sorte Taís. Lindo texto. Parabéns ao escritor

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