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O jogo virou: Lula quer, Fábio decide

A semana começou com a imprensa sergipana em alerta máximo: “Mitidieri será chamado por Lula”, “Encontro decisivo no Planalto”, “PT e Governo alinham 2026”. O clima era de romance político anunciado, quase novela das nove. No roteiro, o presidente Lula chamaria o governador Fábio Mitidieri para Brasília, conversariam à meia-luz sobre alianças, e o PT de Sergipe sairia de lá de mãos dadas com o governo estadual, ou pelo menos com uma selfie bem iluminada.

Mas aí veio a sexta-feira. E Mitidieri? Ao invés do voo para Brasília, o governador optou pelo voo mais difícil de todos: pousou no aniversário da filha. Prioridade doméstica acima do café com poder. Um gesto pequeno ao olhar apressado, gigante ao olhar político. Afinal, quem tem cadeira não corre atrás de sala.

Enquanto isso, no reino petista, Rogério Carvalho segue naquela dança conhecida: flerta com a esquerda, pisca para o governo e acena para o espelho, perguntando quem será seu par no baile. De um lado, selfies com o PSOL; do outro, a esperança que alguém abra o cofre do Planalto e a porta do palanque de Mitidieri. Por ora, parece que só uma delas tem botão de “abrir” e não é a do governo.

O problema é que o relógio eleitoral corre e o PT ainda debate qual sapato usar. A memória é cruel: 2022 está logo ali lembrando o preço da hesitação. Em política, gato com dois focos não caça, no máximo vira estatística felina.

Do lado governista, o xadrez está simples: André Moura e Alessandro Vieira (possivelmente) no tabuleiro do Senado. Edvaldo, com todo respeito, segue esperando um convite que não chegou, não está a caminho e, segundo fontes indiscretas, ainda procura GPS para ser localizado. E, para temperar o cenário, entra Márcio Macedo, ex-ministro e peça pedida por Lula para receber apoio de Mitidieri na disputa à Câmara Federal. O problema? No tabuleiro de Fábio, tem espaço para aliados estratégicos; para quem chega com curral dividido, mala pesada e hashtag vencida, o embarque pode ser de “fila de espera”. No fundo, parece que o presidente quer que Sergipe abrace quem nem o próprio PT abraçou com entusiasmo.

O recado que pairou no ar foi direto: quem precisa de agenda é quem ainda busca espaço. Mitidieri, ao escolher bolo, família e brigadeiro, mostrou a Brasília e a Aracaju que quem governa dita o ritmo e quem deseja vaga espera na sala.

Em tempos de egos à flor da pele, o gesto foi de uma elegância quase provocativa. Lula ainda chamará? Provavelmente. Rogério definirá o rumo? Um dia, talvez. Mas por ora, o movimento mais inteligente da política sergipana foi não se mover. Porque, às vezes, ficar em casa vale mais que apertar mãos em Brasília. E, convenhamos: já vimos muitos políticos que abandonaram a família pela política. É curioso assistir a um que faz o contrário e ganha com isso.

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